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A geração que se recusa a se submeter: a Geração Z é um movimento de luta de classes

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Este artigo foi produzido pela Globetrotter

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Em 20 de julho, milhares de jovens tentaram marchar de Jantar Mantar até o Parlamento indiano. Eles carregavam cartazes, gritavam slogans e exigiam a renúncia do ministro da Educação da União, Dharmendra Pradhan, devido às repetidas irregularidades em exames, vazamentos de questões, provas canceladas e à recusa do governo em assumir a responsabilidade pela situação devastadora imposta aos estudantes. A Polícia de Délhi respondeu com barricadas, cassetetes e gás lacrimogêneo. Alguns manifestantes foram detidos, enquanto outros se reorganizaram em grupos menores e continuaram sua marcha em direção ao Parlamento. O movimento havia cruzado um limiar importante: o que começou como uma sátira nas redes sociais havia chegado às ruas na forma do confronto com o poder estatal.

Os manifestantes se autodenominam Partido Cockroach Janta (CJP) (Partido Barata Janta, em tradução livre). O nome surgiu após uma declaração judicial depreciativa que comparou ativistas e jovens desempregados a baratas e parasitas. Em vez de recuar diante do insulto, os jovens transformaram-no em um símbolo de resistência coletiva. Se aqueles que governam a Índia veem sua juventude desempregada como baratas, então as baratas se agruparão. O nome zomba do Partido Bharatiya Janata, mas também captura algo da experiência de uma geração à qual se disse repetidamente que é exigente, ingrata, inempregável e, de alguma forma, pessoalmente responsável pelo fracasso do sistema econômico — que eles veem como um sistema precário que deveria lhes proporcionar empregos, mas que, como faz o implacável sistema capitalista, os trata como descartáveis.

Desde seu primeiro grande protesto em Délhi, em 6 de junho, o movimento se espalhou para cidades como Pune, Mumbai, Bengaluru, Lucknow e Nagpur. Seus apoiadores montaram um acampamento em Jantar Mantar, onde o ativista climático Sonam Wangchuk realizou uma greve de fome em solidariedade às suas reivindicações antes de ser levado à força para o hospital. As reivindicações imediatas são graves o suficiente: a integridade dos exames de admissão e recrutamento, a indenização às famílias dos estudantes que tiraram a própria vida, a reforma de um sistema de exames repleto de corrupção e a renúncia do ministro da Educação. No entanto, por trás dessas reivindicações, esconde-se uma crise social muito maior, já que uma folha de prova não é simplesmente uma folha coberta de questões. Para milhões de famílias da classe trabalhadora, ela representa anos de economias, sacrifício, estudo e esperança. Quando essa prova vaza ou o exame é cancelado, o frágil plano de toda uma família é destruído.

A mídia descreveu avidamente o movimento das Baratas como o primeiro “protesto da Geração Z” da Índia. Há alguma verdade nessa descrição. Sua linguagem nasceu nas redes sociais e, por isso, ele utiliza memes, sátira, paródia, vídeos curtos e humor autodepreciativo com grande habilidade. Muitos de seus participantes não conheceram outro governo além daquele liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi. Seu vocabulário político se desenvolveu em condições nas quais o noticiário televisivo se rendeu amplamente ao poder, a dissidência foi criminalizada e a internet se tornou tanto um mecanismo de vigilância quanto um dos poucos espaços restantes nos quais a raiva pode circular rapidamente. Mas o termo “Geração Z” explica muito menos do que parece explicar. É uma categoria de marketing disfarçada de sociologia. Ela reúne a filha de um trabalhador rural e o filho de um bilionário simplesmente porque nasceram no mesmo intervalo de anos. Gerações não prestam exames, não procuram emprego, não entregam comida nem pedem dinheiro emprestado para pagar aulas particulares, mas as classes sociais sim. A questão decisiva não é quando esses jovens nasceram, mas que tipo de ordem econômica herdaram e que lugar, se é que há algum, essa ordem preparou para eles.

Os jovens manifestantes não estão em revolta porque tenham menor capacidade de concentração ou uma aversão cultural especial à autoridade. Estão em revolta porque o capitalismo não consegue integrá-los a uma vida econômica digna. Disseram-lhes para estudar, obter diplomas, aprender novas habilidades, permanecer competitivos e se tornarem “empreendedores”. Suas famílias contraíram empréstimos, venderam terras, adiaram tratamentos médicos e reduziram o consumo doméstico para pagar pela educação e por cursos preparatórios. Ao final dessa jornada exaustiva, muitos descobrem que o emprego prometido não existe. Outros encontram apenas contratos temporários, estágios não remunerados, trabalho em plataformas digitais ou empregos cujos salários não têm nenhuma relação com suas qualificações.

Até mesmo os números oficiais revelam a dimensão do problema. A Pesquisa Periódica da Força de Trabalho do governo indiano para 2025 situou o desemprego entre pessoas de 15 a 29 anos em 9,9%, subindo para 13,6% entre os jovens urbanos. A pesquisa também constatou que um quarto dos indianos entre 15 e 29 anos não estava empregado nem cursava ensino superior ou fazia treinamento profissional. Esses números oficiais ocultam o subemprego generalizado, o trabalho familiar não remunerado e o desespero que leva as pessoas a aceitar qualquer atividade como trabalho. Apenas 23,6% dos trabalhadores indianos estavam em empregos regulares com remuneração por hora ou salário fixo, enquanto 56,2% foram classificados como autônomos — uma categoria que abrange desde profissionais prósperos até vendedores ambulantes e trabalhadores não remunerados em propriedades agrícolas familiares.

O Relatório sobre o Emprego na Índia, elaborado pelo Instituto para o Desenvolvimento Humano e pela Organização Internacional do Trabalho, oferece um panorama ainda mais claro. Em 2022, o desemprego entre jovens graduados situava-se em 29,1%, nove vezes a taxa observada entre jovens que não sabiam ler nem escrever. Quase 82% da força de trabalho estava no setor informal, enquanto quase 90% estavam empregados de forma informal. Os salários reais dos trabalhadores assalariados estagnaram ou diminuíram, e o emprego por meio de plataformas se expandiu como uma extensão digitalmente supervisionada do trabalho informal, em grande parte sem previdência social. O relatório constatou que o tempo médio de espera pelo primeiro emprego ultrapassava um ano e que muitos jovens tecnicamente qualificados estavam realizando trabalhos não relacionados à sua formação.

Esse é o amargo paradoxo no cerne dos protestos. A educação ampliou as aspirações e as capacidades dos jovens indianos, mas a economia não aumentou o número de empregos dignos disponíveis para eles. Quanto mais estudam, mais claramente percebem a lacuna entre o que a sociedade prometeu e o que ela pode oferecer. Seu diploma torna-se evidência não de sua inadequação, mas da inadequação de um modelo econômico organizado em torno das finanças, da produção intensiva em capital, da privatização e do enriquecimento de uma pequena elite corporativa.

A crise não começou com o governo de Modi, mas doze anos de governo do BJP a aprofundaram. A desmonetização e o mal concebido Imposto sobre Bens e Serviços (GST) prejudicaram as pequenas empresas, que historicamente absorveram um grande número de trabalhadores. O recrutamento no setor público foi adiado ou reduzido, as vagas permanecem em aberto e o emprego estável foi substituído pelo trabalho por contrato. O setor manufatureiro não cresceu na escala necessária para empregar os milhões que entram no mercado de trabalho a cada ano. Enquanto isso, a educação pública foi enfraquecida, e o setor de cursos preparatórios se expandiu, transformando a ansiedade em uma mercadoria imensamente lucrativa. O governo comemora o crescimento do PIB, rodovias, pagamentos digitais, empresas “unicórnio” e a riqueza dos bilionários indianos, mas nenhuma dessas estatísticas responde à pergunta ouvida em inúmeros lares: onde está o emprego?

Os vazamentos de provas devem, portanto, ser entendidos como algo mais do que corrupção administrativa. São expressões concentradas de uma injustiça de classe mais ampla. Milhões competem por um número reduzido de vagas porque o emprego seguro foi deliberadamente tornado escasso. Cada candidato precisa pagar taxas, viajar longas distâncias, comprar material de estudo e, às vezes, passar anos em centros de preparação. Quando um exame é comprometido, o Estado fala em falhas técnicas e comissões de investigação. Para o candidato, no entanto, o próprio tempo foi roubado. O limite máximo de idade se aproxima; as dívidas da família se acumulam; mais um ano se esvai.

O governo gostaria de isolar os protestos como uma explosão emocional de uma geração impaciente. Ele alternará entre ridicularização, repressão, promessas de diálogo e tentativas de dividir o movimento. Dirá aos jovens que lhes falta experiência, que forças estrangeiras os estão enganando ou que seu protesto prejudica a imagem da nação. Mas não há nada de antinacional em exigir que um país ofereça à sua juventude um trabalho útil. O que prejudica a Índia é uma ordem em que os jovens são necessários como consumidores, pontos de dados, entregadores e multidões eleitorais, mas não são bem-vindos como trabalhadores com direitos, cidadãos com voz e seres humanos com direito a um futuro.

A energia do movimento das Baratas é importante, mas a espontaneidade e o alcance digital, por si mesmos, não podem superar o poder instalado. Sua força duradoura dependerá de sua capacidade de vincular a reforma dos exames à luta por emprego, educação pública, direitos trabalhistas e redistribuição econômica. Os estudantes em Jantar Mantar compartilham um futuro com professores contratados, trabalhadores de programas sociais, entregadores, aprendizes de fábrica, graduados desempregados e trabalhadores rurais. O movimento deve resistir às tentativas de descrever a política organizada, os sindicatos e as organizações estudantis estabelecidas como relíquias pertencentes a outra geração. A experiência acumulada pela classe trabalhadora organizada não é um fardo para a revolta juvenil; é um dos recursos que podem dar a essa revolta resistência e direção.

O nome “barata” carrega uma verdade histórica não intencional. As baratas sobrevivem porque são difíceis de eliminar. Mas os jovens nas ruas não estão pedindo apenas para sobreviver nas fendas de um sistema em decadência. Eles querem viver, trabalhar, usar o que aprenderam e contribuir para a sociedade com dignidade. Sua raiva é geracional em sua aparência, mas profundamente baseada em questões de classe em seu conteúdo. A tarefa da esquerda indiana não é romantizar essa raiva nem dar lições a distância, mas dialogar com ela, ajudá-la a identificar a estrutura por trás de seu sofrimento e aliar suas demandas imediatas a um programa capaz de criar milhões de empregos seguros e socialmente úteis.

O gás lacrimogêneo do lado de fora do Parlamento não pode responder à questão levantada pelos manifestantes. Os governantes da Índia podem empurrá-los para trás das barricadas e chamá-los de insetos, parasitas ou encrenqueiros. Mas uma sociedade que se recusa a abrir espaço para seus jovens acabará descobrindo que os jovens decidiram refazer a própria sociedade.

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LIBERADO PARA SINDICAÇÃO:
21 de julho de 2026
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