{"id":7677,"date":"2022-02-02T17:18:32","date_gmt":"2022-02-02T22:18:32","guid":{"rendered":"https:\/\/gtmportal.wpenginepowered.com\/2022\/02\/02\/can-israel-stop-the-world-from-saying-apartheid-concealing-the-suffering-in-palestine\/"},"modified":"2023-06-18T18:20:19","modified_gmt":"2023-06-18T22:20:19","slug":"israel-pode-impedir-o-mundo-de-dizer-apartheid-escondendo-o-sofrimento-na-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.globetrotter.media\/pt-br\/2022\/02\/02\/israel-pode-impedir-o-mundo-de-dizer-apartheid-escondendo-o-sofrimento-na-palestina\/","title":{"rendered":"Israel pode impedir o mundo de dizer \u2018apartheid\u2019? Escondendo o sofrimento na Palestina"},"content":{"rendered":"<p>Em 27 de janeiro de 2022, o site de not\u00edcias em hebraico <em>Walla<\/em> <a href=\"https:\/\/news.walla.co.il\/item\/3485223\">publicou<\/a> parte do texto de um telegrama enviado por Amir Weissbrod \u2013 que faz parte do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Israel \u2013 \u00e0s embaixadas israelenses em todo o mundo. O telegrama alertava os diplomatas israelenses de que na pr\u00f3xima 49\u00aa sess\u00e3o ordin\u00e1ria do Conselho de Direitos Humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas (CDH), que <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/EN\/HRBodies\/HRC\/RegularSessions\/Session49\/Pages\/49RegularSession.aspx\">deve come\u00e7ar em 28 de fevereiro<\/a>, ser\u00e1 apresentado <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2021\/12\/31\/palestine-gaza-young-victims-israel-bombardment-may\">um relat\u00f3rio sobre o bombardeio de Israel em 2021 em Gaza<\/a>. Este relat\u00f3rio aparentemente <a href=\"https:\/\/news.walla.co.il\/item\/3485223\">usar\u00e1 a palavra \u201capartheid\u201d<\/a> para se referir \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o israelense dos palestinos, de acordo com o telegrama.<\/p>\n<p>Weissbrod transmitiu as instru\u00e7\u00f5es de Tel Aviv sobre o relat\u00f3rio preparado por um comit\u00ea nomeado pelo CDH aos diplomatas israelenses <a href=\"https:\/\/news.walla.co.il\/item\/3485223\">por meio deste telegrama<\/a>: \u201co principal objetivo [para Israel] \u00e9 deslegitimar o comit\u00ea, seus membros e produtos\u201d e \u201cprevenir ou atrasar decis\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s quatro anos de investiga\u00e7\u00f5es, em 1 de fevereiro de 2022 a ONG Anistia Internacional <a href=\"https:\/\/www.amnesty.org\/en\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/MDE1551412022ENGLISH.pdf\">lan\u00e7ou um relat\u00f3rio<\/a> de 280 p\u00e1ginas com um t\u00edtulo duro: \u201cO apartheid de Israel contra os palestinos\u201d. A Anistia Internacional \u201cconcluiu que Israel perpetra o delito internacional do apartheid, como uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e da lei p\u00fablica internacional, onde quer que impunha tal sistema. [O documento] avalia que quase toda a administra\u00e7\u00e3o civil de Israel e autoridades militares, bem como institui\u00e7\u00f5es governamentais e <em>quasi-<\/em>governamentais, est\u00e3o envolvidas na aplica\u00e7\u00e3o do sistema de apartheid contra os palestinos em toda Israel e no Territ\u00f3rio Palestino Ocupado, assim como contra refugiados palestinos e seus descendentes fora do territ\u00f3rio\u201d. A Anistia disse ainda que esses atos \u201cconfiguram o crime contra a humanidade do apartheid, tanto com base na Conven\u00e7\u00e3o de Apartheid quanto no Estatuto de Roma\u201d. O ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Israel, Yair Lapid, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/i\/web\/status\/1488170042722299906\">retaliou o relat\u00f3rio<\/a> ao acusar a Anistia de citar \u201cmentiras propagadas por organiza\u00e7\u00f5es terroristas\u201d. Prontamente, o governo de Israel <a href=\"https:\/\/twitter.com\/IsraelMFA\/status\/1488170053866606595\">acusou a Anistia de antisemitismo<\/a>. O relat\u00f3rio da ONG prover\u00e1 materiais fundamentais para a investiga\u00e7\u00e3o da CDH da ONU.<\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es imediatas <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/EN\/HRBodies\/HRC\/RegularSessions\/Session49\/Pages\/49RegularSession.aspx\">em foco<\/a> na sess\u00e3o da CDH da ONU ser\u00e1 a <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2021\/12\/31\/palestine-gaza-young-victims-israel-bombardment-may\">Opera\u00e7\u00e3o Guardi\u00e3o das Muralhas<\/a> de Israel, levada a cabo contra os palestinos em Gaza em maio de 2021. De acordo com <a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/news\/2021\/07\/27\/gaza-apparent-war-crimes-during-may-fighting\">um relat\u00f3rio de julho de 2021<\/a> da Human Rights Watch (HRW), que investigou tr\u00eas bombardeios israelenses que foram parte da opera\u00e7\u00e3o \u201cque matou 62 palestinos\u201d, \u201cn\u00e3o haviam alvos militares evidentes nas redondezas [dos bombardeios]\u201d. <a href=\"https:\/\/www.hrw.org\/news\/2021\/07\/27\/gaza-apparent-war-crimes-during-may-fighting\">No seu relat\u00f3rio<\/a>, a HRW usou o termo \u201ccrimes de guerra\u201d para descrever ataques feitos por \u201cfor\u00e7as israelenses e grupos palestinos armados\u201d. Quando os tiroteios e bombardeios cessaram <a href=\"https:\/\/apnews.com\/article\/israel-palestinian-cease-fire-hamas-caac81bc36fe9be67ac2f7c27000c74b\">ap\u00f3s onze dias<\/a>, o CDH da ONU <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/EN\/HRBodies\/HRC\/Pages\/NewsDetail.aspx?NewsID=27119&amp;LangID=E\">aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o<\/a>, no fim de maio, estabelecendo uma \u201ccomiss\u00e3o de inqu\u00e9rito internacional e independente\u201d para investigar os v\u00e1rios crimes no Territ\u00f3rio Palestino Ocupado, incluindo na Jerusal\u00e9m Oriental, e em Israel. Navi Pillay, o <a href=\"https:\/\/www.un.org\/sg\/en\/content\/sg\/statement\/2014-06-27\/secretary-generals-message-event-honouring-ms-navi-pillay-un-high\">ex-alto comiss\u00e1rio da ONU<\/a> para os Direitos Humanos e um ex-juiz sul-africano, <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/EN\/HRBodies\/HRC\/Pages\/NewsDetail.aspx?NewsID=27331&amp;LangID=E\">foi nomeado<\/a> para presidir a comiss\u00e3o de tr\u00eas pessoas, que tamb\u00e9m incluir\u00e1 Miloon Kothari, um arquiteto indiano, e Chris Sidoti, advogado de direitos humanos australiano. A comiss\u00e3o deve apresentar <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/world\/middle-east\/former-un-rights-boss-head-probe-into-israel-hamas-alleged-crimes-2021-07-22\/\">seu primeiro relat\u00f3rio<\/a> para o CDH da ONU em junho.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o liderada por Pillay \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2021\/7\/22\/ex-un-rights-chief-to-lead-probe-into-israeli-palestinian-abuses\">nona comiss\u00e3o<\/a> estabelecida pelo CDH para investigar as a\u00e7\u00f5es israelenses contra os palestinos. Ela tem um <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/Documents\/HRBodies\/HRCouncil\/CoIOPT\/TORs-UN-Independent_ICI_Occupied_Palestinian_Territories.pdf\">mandato bastante amplo<\/a>, que inclui o estudo das viola\u00e7\u00f5es da lei humanit\u00e1ria internacional, de acordo com as \u201cquatro Conven\u00e7\u00f5es de Genebra de 1949\u201d, das quais tanto Israel quanto a Palestina s\u00e3o signat\u00e1rios, e a continua\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o destes crimes no futuro. \u00c9 esperado que o relat\u00f3rio de Pillay usar\u00e1 a palavra \u201capartheid\u201d para definir a pol\u00edtica de Israel nos territ\u00f3rios palestinos. Essa n\u00e3o seria a primeira vez que um relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas usou esse termo para definir as a\u00e7\u00f5es israelenses contra os palestinos. Em 2017, a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica e Social da ONU para a \u00c1sia Ocidental (ESCWA) <a href=\"https:\/\/www.unescwa.org\/news\/escwa-launches-report-israeli-practices-towards-palestinian-people-and-question-apartheid\">publicou um relat\u00f3rio<\/a> preparado por Richard Falk, \u201cex-relator especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a situa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos nos territ\u00f3rios palestinos ocupados desde 1967\u201d, e Virginia Tilley, \u201cpesquisadora e professora de ci\u00eancia pol\u00edtica na Universidade do Sul de Illinois\u201d. O relat\u00f3rio <a href=\"https:\/\/www.unescwa.org\/news\/escwa-launches-report-israeli-practices-towards-palestinian-people-and-question-apartheid\">definia a pol\u00edtica israelense contra os palestinos como um \u201capartheid\u201d<\/a>, conforme a compreens\u00e3o da lei internacional (em seu <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/EN\/HRBodies\/HRC\/RegularSessions\/Session25\/Documents\/A-HRC-25-67_en.doc\">relat\u00f3rio de 2014<\/a>, Falk j\u00e1 havia usado o termo \u201capartheid\u201d). O lan\u00e7amento daquele relat\u00f3rio em 2017 levou <a href=\"https:\/\/www.middleeasteye.net\/fr\/news\/head-uns-escwa-resigns-over-report-apartheid-israel-1837813357\">\u00e0 demiss\u00e3o da chefe da ESCWA<\/a>, Rima Khalaf, uma diplomata jordaniana respeitada, ap\u00f3s ela enfrentar \u201cpress\u00f5es do secret\u00e1rio-geral [da ONU] para abrir m\u00e3o do relat\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Hasbara 2.0<\/strong><\/p>\n<p>Em 2006, o governo israelense <a href=\"https:\/\/www.middleeastmonitor.com\/20200815-from-fighting-bds-to-fighting-delegitimisation-israels-ministry-of-strategic-affairs-code-for-battling-accountability\/\">criou um Minist\u00e9rio de Quest\u00f5es Estrat\u00e9gicas<\/a> para essencialmente levar adiante duas campanhas; uma contra o Ir\u00e3 e outra contra o movimento de <a href=\"https:\/\/bdsmovement.net\/\">Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es<\/a> (BDS). Esse minist\u00e9rio de <em>hasbara<\/em> (explica\u00e7\u00e3o ou, mais especificamente, propaganda), operou uma <a href=\"https:\/\/inthesetimes.com\/features\/BDS-movement-Israel-Palestine-activists-boycott-occupation.html\">guerra de informa\u00e7\u00e3o<\/a> que buscou deslegitimar os ativistas do BDS e pintar <a href=\"https:\/\/www.middleeastmonitor.com\/20200815-from-fighting-bds-to-fighting-delegitimisation-israels-ministry-of-strategic-affairs-code-for-battling-accountability\/\">qualquer um que apoiasse o movimento<\/a> como um antissemita. Muito em fun\u00e7\u00e3o das cr\u00edticas pela sua \u201cm\u00e3o pesada\u201d, o Minist\u00e9rio de Quest\u00f5es Estrat\u00e9gicas <a href=\"https:\/\/www.972mag.com\/hasbara-funding-foreign-agents\/\">foi fechado<\/a> em julho de 2021 e algumas de suas fun\u00e7\u00f5es <a href=\"https:\/\/main.knesset.gov.il\/Activity\/plenum\/Pages\/SessionItem.aspx?itemID=2161016\">foram transferidas<\/a> para o Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. O telegrama de Amir Weissbrod para o Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores \u00e9, essencialmente, um Hasbara 2.0.<\/p>\n<p>Em 23 de janeiro de 2022, o governo israelense criou <a href=\"https:\/\/www.the7eye.org.il\/443586\">um novo projeto<\/a> \u2013 o chamado <em>Concert<\/em> \u2013 dentro do Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores. Esse projeto, muito bem financiado, levar\u00e1 adiante a miss\u00e3o de um projeto de propaganda anterior, o \u201cSolomon\u2019s Sling\u201d (Estilingue de Salom\u00e3o, em tradu\u00e7\u00e3o livre) \u2013 \u201cuma Corpora\u00e7\u00e3o de Benef\u00edcio P\u00fablica (PBC) mas <a href=\"https:\/\/www.972mag.com\/hasbara-funding-foreign-agents\/\">controlada por representantes do governo<\/a>\u201d \u2013, para polir a imagem de Israel ao redor do mundo, particularmente no Ocidente. O projeto <em>Concert<\/em> ser\u00e1 o meio pelo qual o governo israelense planeja transferir milh\u00f5es de d\u00f3lares para organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e ve\u00edculos de m\u00eddia para garantir que suas reportagens sobre Israel sejam positivas. \u201cDeslegitima\u00e7\u00e3o\u201d de <a href=\"https:\/\/www.972mag.com\/hasbara-funding-foreign-agents\/\">quaisquer cr\u00edticos<\/a> de Israel \u00e9 parte da agenda que esse processo busca alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p>O telegrama enviado por Weissbrod \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.middleeastmonitor.com\/20220128-israel-throws-millions-into-new-clandestine-hasbara-initiative\/\">parte integrante<\/a> da Hasbara 2.0. Weissbrod \u00e9 uma figura experiente, tendo servido como oficial israelense nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, em Nova York, e como embaixador na Jord\u00e2nia, al\u00e9m de ter trabalhado em v\u00e1rios minist\u00e9rios em Tel Aviv. Em 2011, <a href=\"https:\/\/www.haaretz.com\/1.5035865\">ele declarou<\/a> ao site <em>Haaretz<\/em> que os diplomatas da maioria dos pa\u00edses entende a posi\u00e7\u00e3o de Israel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Autoridade Palestina \u201ca portas fechadas\u201d, mas que eles \u201cn\u00e3o est\u00e3o dispostos a dizer publicamente o que eles dizem de boa vontade em reuni\u00f5es privadas com representantes israelenses, o que \u00e9 muitas vezes enfurecedor\u201d. O que tal duplicidade revela \u00e9 que esses funcion\u00e1rios estrangeiros, que concordam com Israel \u201ccom as portas fechadas\u201d, reconhecem que a opini\u00e3o p\u00fablica em seus pa\u00edses \u00e9 contra a pol\u00edtica israelense, mas sabem tamb\u00e9m que n\u00e3o devem irritar os diplomatas israelenses ou estadunidenses, que poderiam dificultar a vida dos seus pa\u00edses. (Um alto diplomata indiano disse-me abertamente que a <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/opinions\/2017\/1\/29\/25-years-of-normalised-india-israel-relations\">\u00cdndia normalizou rela\u00e7\u00f5es com Israel em 1992 porque a ONU disse a Nova Delhi<\/a> que \u201co caminho para Washington passa por Tel Aviv\u201d.)<\/p>\n<p>O Estado de Israel reconhece que poucos pa\u00edses no CDH da ONU votar\u00e3o contra o relat\u00f3rio que provavelmente o estampar\u00e1 como um \u201c<a href=\"https:\/\/news.walla.co.il\/item\/3485223\">estado de apartheid<\/a>\u201d. O governo israelense tentar\u00e1 fazer duas coisas para prevenir que esse relat\u00f3rio seja publicado: deslegitimar os participantes da comiss\u00e3o, notavelmente Pillay, e solicitar \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas o uso de sua posi\u00e7\u00e3o como membro da CDH para atrasar o lan\u00e7amento do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Crimes de guerra<\/strong><\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2021, Fatou Bensouda, procuradora da Corte Criminal Internacional (CCI), <a href=\"https:\/\/www.icc-cpi.int\/Pages\/item.aspx?name=210303-prosecutor-statement-investigation-palestine\">confirmou<\/a> que seu gabinete havia aberto uma investiga\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos \u201ccrimes contra o Estatuto de Roma\u201d por parte de Israel e contra os palestinos. H\u00e1 quatro crimes definidos pelo Estatuto de Roma: o crime de genoc\u00eddio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crime de agress\u00e3o. Cada um deles \u00e9 horrendo.<\/p>\n<p>O que Israel teme \u00e9 que um relat\u00f3rio negativo por parte do CDH da ONU traga evid\u00eancias para uma investiga\u00e7\u00e3o da CCI. Em 3 de janeiro de 2022, o ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Israel, Yair Lapid, <a href=\"https:\/\/www.timesofisrael.com\/lapid-2022-will-see-intense-effort-to-paint-israel-as-apartheid-state\/\">disse a jornalistas israelenses<\/a> que seu governo teme que nesse ano um conjunto de institui\u00e7\u00f5es internacionais tentar\u00e1 retratar Israel como um \u201cestado de apartheid\u201d. Essas institui\u00e7\u00f5es incluem o CDH da ONU, a CCI, a Corte Internacional de Justi\u00e7a e o Comit\u00ea para a Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o de Ra\u00e7a.<\/p>\n<p>Na coletiva de imprensa, Lapid <a href=\"https:\/\/www.timesofisrael.com\/lapid-2022-will-see-intense-effort-to-paint-israel-as-apartheid-state\/\">chamou a caracteriza\u00e7\u00e3o de Israel como um estado de apartheid como uma \u201cmentira desprez\u00edvel\u201d<\/a>. Dois anos atr\u00e1s, em junho de 2020, no entanto, uma das mais respeitadas organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos de Israel \u2013 a <a href=\"https:\/\/www.yesh-din.org\/en\/\"><em>Yesh Din<\/em><\/a> \u2013 publicou <a href=\"https:\/\/s3-eu-west-1.amazonaws.com\/files.yesh-din.org\/Apartheid+2020\/Apartheid+ENG.pdf\">um relat\u00f3rio<\/a> com uma conclus\u00e3o surpreendente: \u201ctrata-se de uma declara\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de fazer, mas a conclus\u00e3o dessa opini\u00e3o \u00e9 que o crime contra a humanidade de apartheid est\u00e1 sendo cometido na Cisjord\u00e2nia. Os perpetradores s\u00e3o israelenses, e as v\u00edtimas s\u00e3o palestinas\u201d. Tais declara\u00e7\u00f5es s\u00e3o an\u00e1temas para Lapid e Weissbrod, mas \u2013 de acordo com grupos de direitos humanos israelenses (incluindo o <a href=\"https:\/\/www.btselem.org\/publications\/fulltext\/202101_this_is_apartheid\"><em>B\u2019Tselem<\/em><\/a>) e palestinos (incluindo o <a href=\"https:\/\/www.alhaq.org\/advocacy\/19415.html\"><em>Al-Haq<\/em><\/a> e o <em>Addameer<\/em>), bem como de acordo com a Anistia Internacional e a Human Rights Watch \u2013, s\u00e3o um reflexo dos fatos testemunhados no local, e nenhuma quantidade de Hasbara 2.0 pode apagar isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 27 de janeiro de 2022, o site de not\u00edcias em hebraico Walla publicou parte do texto de um telegrama enviado por Amir Weissbrod \u2013 que faz parte do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Israel \u2013 \u00e0s embaixadas israelenses em todo o mundo. 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