{"id":7350,"date":"2022-10-06T20:47:36","date_gmt":"2022-10-07T00:47:36","guid":{"rendered":"https:\/\/gtmportal.wpenginepowered.com\/2022\/10\/06\/after-all-the-pomp-and-pageantry-for-queen-elizabeth-ii-the-apology-that-never-came\/"},"modified":"2023-06-01T15:07:52","modified_gmt":"2023-06-01T19:07:52","slug":"apos-toda-a-pompa-para-a-rainha-elizabeth-ii-as-desculpas-que-nunca-vieram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.globetrotter.media\/pt-br\/2022\/10\/06\/apos-toda-a-pompa-para-a-rainha-elizabeth-ii-as-desculpas-que-nunca-vieram\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s toda a pompa para a rainha Elizabeth II: as desculpas que nunca vieram"},"content":{"rendered":"<p>Como dever\u00edamos <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/opinions\/2022\/9\/17\/whitewashing-queen-elizabeths-legacy-wont-save-the-monarchy\">lembrar a rainha Elizabeth II<\/a> e seus 70 anos no trono brit\u00e2nico? Talvez seja melhor refletir sobre isso agora, quando podemos ver a prociss\u00e3o midi\u00e1tica sobre sua morte pelo retrovisor.<\/p>\n<p>Muitas pessoas <a href=\"https:\/\/maktoobmedia.com\/2022\/09\/10\/queens-death-victims-of-british-imperialism-share-why-not-mourn\/\">reagiram <u>\u00e0 <\/u>glorifica<u>\u00e7\u00e3<\/u>o de seu reinado<\/a>, lembrando da <a href=\"https:\/\/slate.com\/news-and-politics\/2020\/07\/british-royal-family-slavery-reparations.html\">liga<u>\u00e7\u00e3<\/u>o direta entre a realeza brit<u>\u00e2<\/u>nica e a escravid<u>\u00e3<\/u>o<\/a>, os <a href=\"https:\/\/www.worldcat.org\/title\/blood-never-dried-a-peoples-history-of-the-british-empire\/oclc\/76909663\">massacres coloniais brit<u>\u00e2<\/u>nicos<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.versobooks.com\/books\/2311-late-victorian-holocausts\">fomes em massa<\/a> e o <a href=\"https:\/\/mronline.org\/2019\/01\/15\/britain-robbed-india-of-45-trillion-thence-1-8-billion-indians-died-from-deprivation\/\">saque das col<u>\u00f4<\/u>nias<\/a>. A riqueza brit\u00e2nica \u2013 <a href=\"https:\/\/mronline.org\/2019\/01\/15\/britain-robbed-india-of-45-trillion-thence-1-8-billion-indians-died-from-deprivation\/\">45 trilh<u>\u00f5<\/u>es de d<u>\u00f3<\/u>lares, somente a partir da <u>\u00cd<\/u>ndia<\/a> \u2013 foi constru\u00edda sobre o sangue e o suor de povos que perderam suas terras e casas, e que hoje constituem pa\u00edses pobres. N\u00e3o esque\u00e7amos que o tr\u00e1fico de escravos foi um <a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/2018\/04\/01\/the-apocalypse-of-settler-colonialism\/\">monop<u>\u00f3<\/u>lio<\/a><a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/2018\/04\/01\/the-apocalypse-of-settler-colonialism\/\"> do trono brit<u>\u00e2<\/u>nico<\/a>: primeiro, com a Companhia de Aventureiros Reais em Com\u00e9rcio com a \u00c1frica, em 1660, depois convertida na Companhia Real Africana. A batalha sobre o \u201clivre com\u00e9rcio\u201d travada pelo capital mercantil brit\u00e2nico foi contra esse monop\u00f3lio real altamente lucrativo, para que tamb\u00e9m pudesse participar deste com\u00e9rcio: o ato de escravizar pessoas na \u00c1frica e as vender para serem usadas em planta\u00e7\u00f5es nas Am\u00e9ricas e no Caribe.<\/p>\n<p>De acordo com as lendas ocidentais, a Era das Descobertas, que coincide com a Era do Iluminismo, foi o que come\u00e7ou essa batalha. Exploradores como Vasco da Gama, Colombo e Magalh\u00e3es viajaram o mundo, descobrindo novas terras. O Iluminismo levou ao desenvolvimento da raz\u00e3o e da ci\u00eancia, as bases para a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial na Inglaterra. A Revolu\u00e7\u00e3o Industrial ent\u00e3o se espalhou pela Europa e os Estados Unidos, criando a diferencia\u00e7\u00e3o entre o rico Ocidente e o resto do mundo, atingido pela pobreza. A escravid\u00e3o, o genoc\u00eddio e a expropria\u00e7\u00e3o das terras dos \u201cnativos\u201d, bem como o saque colonial, n\u00e3o entram nesse retrato embelezado do desenvolvimento do capitalismo. Ou, quando mencionados, o s\u00e3o s\u00f3 como aspectos marginais de um conto maior sobre a ascens\u00e3o do Ocidente.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria real \u00e9 bastante diferente. Cronologicamente, a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial ocorre na segunda metade do s\u00e9culo 18. Os s\u00e9culos 16 e 17 marcam o momento em que um punhado de pa\u00edses ocidentais chegam \u00e0s Am\u00e9ricas, prosseguindo com o <a href=\"https:\/\/global.oup.com\/academic\/product\/american-holocaust-9780195085570?cc=in&amp;lang=en&amp;\">genoc<u>\u00ed<\/u>dio de suas popula<u>\u00e7\u00f5<\/u>es ind<u>\u00ed<\/u>genas<\/a> e a escravid\u00e3o dos que ficaram vivos. Tamb\u00e9m durante os s\u00e9culos 16 e 17 ocorre a ascens\u00e3o do tr\u00e1fico escravo da \u00c1frica para as Am\u00e9ricas e o Caribe. Ele destr\u00f3i a sociedade africana e sua economia, num processo que Walter Rodney descreveu em <a href=\"https:\/\/www.versobooks.com\/books\/2785-how-europe-underdeveloped-africa\">Como a Europa subdesenvolveu a <u>\u00c1<\/u>frica<\/a>. A economia de planta\u00e7\u00e3o \u2013 <a href=\"https:\/\/www.thebritishacademy.ac.uk\/documents\/3549\/JBA-9-p259-Berg-Hudson.pdf\">baseada na escravid<u>\u00e3<\/u>o<\/a>, no Caribe e na Am\u00e9rica Continental \u2013 \u00e9 que criou a produ\u00e7\u00e3o de commodities em larga-escala e os mercados globais.<\/p>\n<p>O a\u00e7\u00facar produzido nas planta\u00e7\u00f5es foi o primeiro commodity global, seguido pelo tabaco, o caf\u00e9, o cacau, e, finalmente, o algod\u00e3o. Apesar da economia das planta\u00e7\u00f5es ter fornecido os commodities para o mercado mundial, n\u00e3o esque\u00e7amos que os escravos eram, ainda assim, os mais importantes \u201ccommodities\u201d. O com\u00e9rcio de escravos era a maior fonte de receitas do capital europeu \u2013 capital brit\u00e2nico, franc\u00eas, holand\u00eas, espanhol e portugu\u00eas. Gerald Horne escreve que \u201cO escravizado, forma peculiar de capital enclausurado no trabalho, representou simultaneamente a barb\u00e1rie do capitalismo emergente, juntamente com sua for\u00e7a produtiva\u201d (em <a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/2018\/04\/01\/the-apocalypse-of-settler-colonialism\/\">O Apocalipse do Colonialismo de Povoamento<\/a>, publicado na Monthly Review em abril de 2018).<\/p>\n<p>Marx caracterizou esse processo como <a href=\"https:\/\/climateandcapitalism.com\/2022\/09\/05\/so-called-primitive-accumulation\/\">a assim chamada<\/a><a href=\"https:\/\/climateandcapitalism.com\/2022\/09\/05\/so-called-primitive-accumulation\/\"> acumula<u>\u00e7\u00e3<\/u>o primitiva<\/a>; como \u201cexpropria\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o como acumula\u00e7\u00e3o. O capital inicial foi baseado na expropria\u00e7\u00e3o \u2013 no roubo, saque e escraviza\u00e7\u00e3o de povos pelo uso da for\u00e7a; n\u00e3o havia acumula\u00e7\u00e3o no processo. Como Marx escreve, o capital nasceu \u201cpingando da cabe\u00e7a aos p\u00e9s, por todos os poros, com sangue e lama\u201d.<\/p>\n<p>A realeza brit\u00e2nica teve um papel chave neste processo de escraviza\u00e7\u00e3o e da assim chamada acumula\u00e7\u00e3o primitiva. A Gr\u00e3-Bretanha era um poder de segunda classe no come\u00e7o do s\u00e9culo 17. A transforma\u00e7\u00e3o da Gr\u00e3-Bretanha foi primeiro baseada no com\u00e9rcio de escravos e, depois, nas planta\u00e7\u00f5es de cana no Caribe. Seus navios e comerciantes emergiram como o principal poder no com\u00e9rcio de escravos e, por volta dos anos 1680, <a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/2018\/04\/01\/the-apocalypse-of-settler-colonialism\/\">tinham <u>\u00be <\/u>desse <u>\u201c<\/u>mercado<u>\u201d <\/u>de seres humanos<\/a>. A Companhia Real Africana detinha 90% de participa\u00e7\u00e3o nesse mercado: o impulso para a domina\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica do com\u00e9rcio de escravos foi dado pela realeza brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>Curiosamente, a bandeira do \u201clivre-com\u00e9rcio\u201d, sob a qual a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) foi criada, nasceu com o capital mercante brit\u00e2nico buscando a aboli\u00e7\u00e3o do Monop\u00f3lio Real no com\u00e9rcio de escravos. Se tratava, em outras palavras, da <a href=\"https:\/\/aeon.co\/essays\/why-the-original-laissez-faire-economists-loved-slavery\">liberdade do capital para escravizar seres humanos e comercializ<u>\u00e1<\/u>-los<\/a>, livre do monop\u00f3lio da realeza. Foi esse capital, criado a partir do com\u00e9rcio de escravos e da pirataria e saque aberto, que financiou a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p>Quando, finalmente, a escravid\u00e3o foi abolida no Reino Unido, n\u00e3o foram os escravos, e sim os donos deles, que <a href=\"https:\/\/reparationscomm.org\/reparations-news\/britains-colonial-shame-slave-owners-given-huge-payouts-after-abolition\/\">receberam indeniza<u>\u00e7\u00f5<\/u>es pela perda de sua <u>\u201c<\/u>propriedade<u>\u201d<\/u><\/a>. O montante pago em 1833 foi de 40% do or\u00e7amento nacional, e como ele foi baseado em empr\u00e9stimos, os cidad\u00e3os brit\u00e2nicos s\u00f3 pagaram essa \u201cd\u00edvida\u201d em 2015. Para o povo da \u00cdndia, h\u00e1 ainda outro cap\u00edtulo nessa hist\u00f3ria. \u00c0 medida que os ex-escravos se negavam a trabalhar nas planta\u00e7\u00f5es onde tinham sido escravizados, eles foram substitu\u00eddos por trabalhadores contratados da \u00cdndia.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 realeza brit\u00e2nica: as propriedades e investimentos em carteira da Coroa atualmente valem 28 bilh\u00f5es de libras (cerca de 167 bilh\u00f5es de reais), o que torna o rei Charles III uma das pessoas mais ricas do Reino Unido. A propriedade pessoal de Charles III sozinha equivale a um bilh\u00e3o de libras (quase 6 bilh\u00f5es de reais). Mesmo sob os padr\u00f5es atuais de riqueza obscena, s\u00e3o n\u00fameros grandes, em especial tomando-se em conta que \u00e9 uma riqueza virtualmente livre de taxa\u00e7\u00e3o. Os membros da fam\u00edlia real tamb\u00e9m est\u00e3o isentos de pagar impostos sobre heran\u00e7a.<\/p>\n<p>Nos 300 anos de hist\u00f3ria do colonialismo brit\u00e2nico, guerras brutais, genoc\u00eddio, escravid\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o foram levadas adiante em seu nome e sob sua lideran\u00e7a. Ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, a Gr\u00e3-Bretanha passou a buscar somente mat\u00e9rias primas de suas col\u00f4nias, e <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3reMlYM\">nenhum produto industrial<\/a>: o slogan era \u201csequer um prego das col\u00f4nias\u201d. Todo o com\u00e9rcio das col\u00f4nias para outros pa\u00edses tinha de passar pela Inglaterra, onde taxas eram pagas, antes dos produtos serem re-exportados. A outra face da Revolu\u00e7\u00e3o industrial na Gr\u00e3-Bretanha foi a desindustrializa\u00e7\u00e3o de suas col\u00f4nias, confiando-as \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas e produtos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Por que falar do passado colonial brit\u00e2nico por ocasi\u00e3o da morte da rainha Elizabeth II? Afinal, ela s\u00f3 viveu os \u00faltimos 70 anos, per\u00edodo no qual o imp\u00e9rio colonial brit\u00e2nico j\u00e1 tinha desaparecido. N\u00e3o se trata s\u00f3 do passado, e sim do fato de que nem a Coroa brit\u00e2nica nem seus l\u00edderes nunca expressaram <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/news\/2016\/aug\/18\/uncovering-truth-british-empire-caroline-elkins-mau-mau\">qualquer tipo de ressentimento pela brutalidade de seu imp<u>\u00e9<\/u>rio<\/a> alicer\u00e7ado na escravid\u00e3o e no genoc\u00eddio. Nenhum pedido de desculpas pela sangrenta hist\u00f3ria do imp\u00e9rio: sequer pelos massacres e pris\u00f5es em massa que ocorreram. No jardim de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=DGZerwE8AjE\">Jallianwala Bagh<\/a>, no norte da \u00cdndia, que Elizabeth II visitou em 1997, ela disse que o massacre ocorrido neste local foi um \u201c<a href=\"https:\/\/www.tribuneindia.com\/news\/punjab\/during-97-visit-queen-elizabeth-ii-stopped-short-of-apologising-for-jallianwala-bagh-massacre-430174\">epis<u>\u00f3<\/u>dio angustiante e dif<u>\u00ed<\/u>cil<\/a>\u201d; sequer um \u201cn\u00f3s sentimos muito\u201d. O pr\u00edncipe Philip chegou at\u00e9 a questionar o n\u00famero de m\u00e1rtires massacrados ali.<\/p>\n<p>Como reconciliar a raiva que as pessoas que sofreram com o imp\u00e9rio colonial brit\u00e2nico sentem por seus l\u00edderes entrarem numa fila para homenagear a rainha? N\u00e3o envergonha a mem\u00f3ria daqueles que deram suas vidas na luta pela liberdade contra a Coroa Brit\u00e2nica que a \u00cdndia tenha <a href=\"https:\/\/www.indiatoday.in\/india\/story\/queen-elizabeth-ii-death-tricolour-fly-half-mast-red-fort-rashtrapati-bhavan-india-observes-state-mourning-1998903-2022-09-11\">baixado a bandeira nacional a meio mastro para homenagear Elizabeth<\/a>?<\/p>\n<p>Se poderia argumentar que tudo isso ocorreu muito antes da rainha Elizabeth II se apossar da Coroa, e que n\u00e3o podemos responsabiliz\u00e1-la pessoalmente pela hist\u00f3ria colonial brit\u00e2nica. Mas n\u00f3s devemos. Como rainha, ela representava o Estado brit\u00e2nico: n\u00e3o se trata de Elizabeth, a pessoa da qual os povos esperaram um pedido de desculpas, mas a cabe\u00e7a do Estado brit\u00e2nico. Foi por isso que <a href=\"https:\/\/twitter.com\/MukomaWaNgugi\/status\/1567949652875681792\">M<u>\u0169<\/u>koma wa Ng<u>\u0169<\/u>g<u>\u0129<\/u><\/a>, filho do renomado escritor queniano Ng\u0169g\u0129 wa Thiong\u2019o, disse que \u201cse a rainha tivesse se desculpado pela escravid\u00e3o, o colonialismo e o neocolonialismo, e se tivesse feito um apelo para que a Coroa oferecesse indeniza\u00e7\u00f5es pelas milh\u00f5es de vidas que se foram em seu nome, ent\u00e3o, talvez, eu faria o que \u00e9 humano e me sentiria mal\u201d, ele escreveu. \u201cMas como um queniano, n\u00e3o sinto nada. Esse teatro \u00e9 absurdo\u201d.<\/p>\n<p>M\u0169koma wa Ng\u0169g\u0129 se referia \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/features\/2016\/5\/5\/we-are-the-mau-mau-kenyans-share-stories-of-torture\">Revolta dos Mau-Mau<\/a> por terra e liberdade, na qual <a href=\"https:\/\/www.pulitzer.org\/winners\/caroline-elkins\">milhares de quenianos foram massacrados<\/a>, com 1,5 milh\u00f5es deles presos em campos de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso ocorreu entre 1952 e 1960. A rainha Elizabeth II chegou ao trono em 1952. Foi durante sua vida!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como dever\u00edamos lembrar a rainha Elizabeth II e seus 70 anos no trono brit\u00e2nico? Talvez seja melhor refletir sobre isso agora, quando podemos ver a prociss\u00e3o midi\u00e1tica sobre sua morte pelo retrovisor. 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