{"id":12401,"date":"2026-02-27T11:24:47","date_gmt":"2026-02-27T16:24:47","guid":{"rendered":"https:\/\/portal.globetrotter.media\/?p=12401"},"modified":"2026-03-21T10:43:50","modified_gmt":"2026-03-21T14:43:50","slug":"mais-um-ataque-terrorista-contra-cuba-a-guerra-de-66-anos-que-washington-se-recusa-a-encerrar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.globetrotter.media\/pt-br\/2026\/02\/27\/mais-um-ataque-terrorista-contra-cuba-a-guerra-de-66-anos-que-washington-se-recusa-a-encerrar\/","title":{"rendered":"Mais um ataque terrorista contra Cuba: a guerra de 66 anos que Washington se recusa a encerrar"},"content":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 do dia 25 de fevereiro de 2026, as autoridades cubanas frustraram mais um ataque terrorista a 1,6 km da costa norte do pa\u00eds. Ao fim da a\u00e7\u00e3o, quatro homens estavam mortos, outros seis ficaram feridos e foram detidos pelas autoridades cubanas, e uma lancha registrada na Fl\u00f3rida (FL7726SH) ficou inutilizada, com seu conv\u00e9s repleto de fuzis de assalto, pistolas, coquet\u00e9is molotov e coletes \u00e0 prova de balas.<\/p>\n<p>O ataque trouxe \u00e0 tona uma discuss\u00e3o sobre a longa e muitas vezes esquecida hist\u00f3ria de ataques terroristas que Cuba enfrentou nos 66 anos desde sua revolu\u00e7\u00e3o e quais atores, estatais ou n\u00e3o, estiveram por tr\u00e1s deles.<\/p>\n<p><b>O ataque<\/b><\/p>\n<p>No in\u00edcio da manh\u00e3 de 25 de fevereiro, uma lancha r\u00e1pida n\u00e3o identificada entrou em \u00e1guas cubanas. Quando a Guarda Costeira cubana se aproximou para identificar a embarca\u00e7\u00e3o, a tripula\u00e7\u00e3o da lancha abriu fogo sem aviso pr\u00e9vio. Os agressores, armados com fuzis de assalto e coquet\u00e9is molotov, feriram o comandante da patrulha cubana antes que os guardas revidassem em leg\u00edtima defesa.<\/p>\n<p>Reportagens de jornalistas baseados em Miami confirmaram que essa n\u00e3o foi uma viagem para resgatar migrantes cubanos, como alguns tentam dizer, mas, na verdade, uma expedi\u00e7\u00e3o armada e organizada para realizar a\u00e7\u00f5es violentas em solo cubano.<\/p>\n<p>Em terra, as autoridades cubanas prenderam Duniel Hern\u00e1ndez Santos, um elemento que havia chegado recentemente dos Estados Unidos para receber a equipe de infiltra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O governo dos EUA ainda n\u00e3o fez um coment\u00e1rio oficial condenando o ataque \u00e0 soberania de Cuba, e o secret\u00e1rio de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA conduzir\u00e3o sua pr\u00f3pria investiga\u00e7\u00e3o independente sobre o caso.<\/p>\n<p>Os eventos de 25 de fevereiro de 2026, no entanto, representam muito mais do que um incidente isolado de viol\u00eancia mar\u00edtima. Os ataques terroristas contra Cuba, em muitos casos hist\u00f3ricos patrocinados diretamente pelos Estados Unidos, t\u00eam sido um componente central da campanha cont\u00ednua travada por Washington contra o povo cubano h\u00e1 mais de seis d\u00e9cadas. Tais ataques e outros semelhantes s\u00e3o o resultado l\u00f3gico e as consequ\u00eancias pretendidas da escalada do estado de guerra e do bloqueio de combust\u00edvel deliberadamente criado pela administra\u00e7\u00e3o Trump para fazer o povo cubano sofrer, desestabilizar uma na\u00e7\u00e3o soberana e minar seu governo.<\/p>\n<p>A geografia desse conflito em curso \u00e9 particularmente reveladora, j\u00e1 que o estado da Fl\u00f3rida tem funcionado h\u00e1 d\u00e9cadas como uma plataforma de lan\u00e7amento para grupos paramilitares que operam com v\u00e1rios graus de toler\u00e2ncia oficial das autoridades americanas. De acordo com a investiga\u00e7\u00e3o preliminar do Minist\u00e9rio do Interior de Cuba, muitos dos indiv\u00edduos envolvidos no ataque, como Amijail S\u00e1nchez Gonz\u00e1lez e Leordan Enrique Cruz G\u00f3mez, j\u00e1 eram conhecidos das autoridades por seu envolvimento em atividades ilegais e terroristas. Isso sugere outra realidade preocupante: os Estados Unidos continuam permitindo que seu territ\u00f3rio seja usado como base para planejar e executar ataques armados contra um pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>Essa viol\u00eancia no mar representa a manifesta\u00e7\u00e3o paramilitar de uma campanha mais ampla de guerra econ\u00f4mica e terror travada por meios mais sofisticados pela for\u00e7a naval dos EUA no Caribe, mas ambas as abordagens compartilham o objetivo id\u00eantico de provocar o colapso do Estado cubano por meio de press\u00e3o sustentada e desestabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>A guerra contra Cuba<\/b><\/p>\n<p>Desde o triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana em 1959, as autoridades cubanas documentaram aproximadamente 5.780 atos terroristas distintos dirigidos contra seu pa\u00eds. Essas estat\u00edsticas representam muito mais do que meros n\u00fameros em uma p\u00e1gina. Esses ataques ceifaram a vida de 3.478 pessoas e deixaram milhares com defici\u00eancias permanentes. Os m\u00e9todos empregados ao longo dessa longa hist\u00f3ria certamente variaram de acordo com as circunst\u00e2ncias e capacidades dispon\u00edveis em diferentes per\u00edodos, mas a crueldade subjacente permaneceu notavelmente consistente ao longo das d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Entre as t\u00e1ticas mais devastadoras empregadas estava a guerra biol\u00f3gica, exemplificada pela epidemia de dengue de 1981, que ceifou a vida de 101 crian\u00e7as, principalmente beb\u00eas e crian\u00e7as pequenas. As campanhas de sabotagem orquestradas contra a ilha foram igualmente destrutivas, com documentos desclassificados revelando que, durante um \u00fanico per\u00edodo de seis meses na d\u00e9cada de 1960, a CIA conseguiu contrabandear aproximadamente 75 toneladas de explosivos para a ilha com o objetivo espec\u00edfico de destruir f\u00e1bricas, planta\u00e7\u00f5es, infraestrutura de transporte e outras instala\u00e7\u00f5es essenciais para a sobreviv\u00eancia e o desenvolvimento econ\u00f4mico da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez o mais terr\u00edvel de tudo tenha sido o atentado \u00e0 bomba contra o voo 455 da companhia a\u00e9rea Cubana, em 1976, que resultou na morte de todas as 73 pessoas a bordo, incluindo os adolescentes membros da equipe de esgrima de Cuba, e que se destaca como um dos primeiros atos de terrorismo a\u00e9reo j\u00e1 perpetrados no Hemisf\u00e9rio Ocidental. Os mentores por tr\u00e1s dessa atrocidade, Luis Posada Carriles e Orlando Bosch, viveram seus \u00faltimos anos livremente em Miami, com sua exist\u00eancia tranquila enviando uma mensagem clara e inequ\u00edvoca do governo dos Estados Unidos de que indiv\u00edduos que praticam viol\u00eancia terrorista contra Cuba encontrar\u00e3o ref\u00fagio e prote\u00e7\u00e3o dentro das fronteiras da Fl\u00f3rida.<\/p>\n<p>As incurs\u00f5es armadas conduzidas por grupos como o Alpha 66 e outros baseados nos Estados Unidos constituem a faceta violenta e aberta de uma pol\u00edtica do governo dos EUA cujos fundamentos foram explicitamente estabelecidos no infame memorando Mallory de 1960. Esse documento defendia abertamente a promo\u00e7\u00e3o da fome, do desespero, da viol\u00eancia e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, da derrubada do governo cubano por meio da nega\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do acesso da na\u00e7\u00e3o a dinheiro e suprimentos essenciais. O bloqueio econ\u00f4mico dos EUA, mantido por d\u00e9cadas com severidade crescente e por meio do estrangulamento financeiro, resultou na escassez de alimentos, medicamentos essenciais e combust\u00edvel necess\u00e1rio para o funcionamento b\u00e1sico da sociedade cubana. A designa\u00e7\u00e3o de Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo, reafirmada mais recentemente em 2025 por Trump, impediu o pa\u00eds de se envolver em transa\u00e7\u00f5es financeiras normais e no com\u00e9rcio internacional, essenciais para a sobreviv\u00eancia e o desenvolvimento de qualquer na\u00e7\u00e3o. O apoio, seja direto ou por meio de toler\u00e2ncia impl\u00edcita, a grupos paramilitares, contribui para a desestabiliza\u00e7\u00e3o f\u00edsica que resulta na perda cont\u00ednua de vidas e na destrui\u00e7\u00e3o de infraestruturas vitais para a capacidade de sobreviv\u00eancia do povo cubano.<\/p>\n<p>Existe uma profunda e amarga ironia na decis\u00e3o do governo dos EUA em 2025 de designar mais uma vez Cuba como um Estado patrocinador do terrorismo. Ao longo de todo o per\u00edodo de 66 anos durante o qual Washington aplicou este e outros r\u00f3tulos a Cuba, foi na verdade Cuba que tem sido consistentemente v\u00edtima de uma campanha de terror sustentada, organizada, financiada e sistematicamente ignorada pelas sucessivas administra\u00e7\u00f5es americanas.<\/p>\n<p>O confronto violento na costa de Cuba em 25 de fevereiro de 2026 n\u00e3o foi um acidente ou uma coincid\u00eancia, mas a consequ\u00eancia direta e previs\u00edvel da recusa das autoridades americanas em aceitar a realidade da soberania cubana e o direito do povo cubano de determinar seu pr\u00f3prio destino sem interfer\u00eancia ou manipula\u00e7\u00e3o externa. Ao responder a este ataque terrorista, Cuba age em total conformidade com o direito internacional, especificamente com o Artigo 51 da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que garante \u201co direito inerente de autodefesa individual ou coletiva, se ocorrer um ataque armado contra um Estado-membro\u201d.<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, Marco Rubio e o governo dos EUA devem responder por que um grupo de terroristas residentes nos Estados Unidos conspirou para orquestrar atos de terrorismo contra o povo cubano, utilizando armas compradas nos Estados Unidos e operando um barco que partiu de um porto da Fl\u00f3rida. Enquanto Washington continuar tratando a Fl\u00f3rida como uma base permiss\u00edvel para opera\u00e7\u00f5es destinadas a mudar o regime em Havana e continuar usando seu sistema financeiro como arma para estrangular economicamente a ilha, esse ciclo de viol\u00eancia inevitavelmente continuar\u00e1, ceifando vidas e perpetuando o sofrimento do povo cubano.<\/p>\n<p>Enquanto o governo Trump avan\u00e7a com a sua guerra de 66 anos contra Cuba, induzindo a fome por meio de um cruel bloqueio de combust\u00edvel e permitindo ataques terroristas a partir de seu territ\u00f3rio, o povo cubano se recusa a ceder. Ele continua a enfrentar a tempestade, mantendo-se firme contra um imp\u00e9rio que, por mais de seis d\u00e9cadas, n\u00e3o conseguiu subjug\u00e1-lo \u00e0 sua vontade.<\/p>\n<p><b>(*) Tradu\u00e7\u00e3o de Raul Chiliani<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 do dia 25 de fevereiro de 2026, as autoridades cubanas frustraram mais um ataque terrorista a 1,6 km da costa norte do pa\u00eds. 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