{"id":11586,"date":"2025-11-03T14:31:56","date_gmt":"2025-11-03T19:31:56","guid":{"rendered":"https:\/\/portal.globetrotter.media\/?p=11586"},"modified":"2025-11-16T20:32:26","modified_gmt":"2025-11-17T01:32:26","slug":"a-guerra-comercial-de-trump-o-caminho-para-a-paz-continua-incerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.globetrotter.media\/pt-br\/2025\/11\/03\/a-guerra-comercial-de-trump-o-caminho-para-a-paz-continua-incerto\/","title":{"rendered":"A guerra comercial de Trump: o caminho para a paz continua incerto"},"content":{"rendered":"<p>A reuni\u00e3o entre Trump e Xi Jinping, realizada em 30 de outubro de 2025, em Busan, Coreia do Sul, pode ter representado um al\u00edvio tempor\u00e1rio na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. No entanto, a menos que vejamos os detalhes do acordo, \u00e9 dif\u00edcil avaliar se se trata de uma tr\u00e9gua tempor\u00e1ria ou do in\u00edcio de uma verdadeira aproxima\u00e7\u00e3o entre as duas na\u00e7\u00f5es. Ainda n\u00e3o h\u00e1 um veredito a esse respeito e esperaremos para entender melhor o que realmente foi alcan\u00e7ado em Busan.<\/p>\n<p>O tema candente desde o in\u00edcio do segundo mandato presidencial de Trump tem sido sua guerra tarif\u00e1ria, n\u00e3o apenas com a China, mas com o mundo inteiro. No lugar de pol\u00edticas comerciais nas quais as tarifas \u2013 direitos de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o \u2013 desempenham um papel, as tarifas se tornaram o motor da pol\u00edtica externa dos Estados Unidos, para n\u00e3o dizer sua forma de envolvimento pol\u00edtico, econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico com o mundo em geral. N\u00e3o \u00e9 que sua m\u00e3o de ferro, o ex\u00e9rcito americano, esteja oculta da vista. No entanto, Trump parece se concentrar mais estreitamente em duas regi\u00f5es. Por um lado, o apoio a Israel na \u00c1sia Ocidental, e por outro o<a href=\"https:\/\/geopoliticaleconomy.com\/2025\/10\/27\/donroe-doctrine-trump-neocolonial-plan-latin-america\/\"> retorno \u00e0 doutrina Monroe,<\/a> na qual se reivindica a Am\u00e9rica Latina e o Caribe como \u201cesfera de influ\u00eancia\u201d dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Os sonhos de uma nova ordem mundial \u201cbaseada em normas\u201d e o sistema da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) lan\u00e7ado com grande alarde em 1995 parecem ter desaparecido com Trump. Suas pol\u00edticas claramente transformaram as tarifas em uma arma e representam um retorno \u00e0s normas de controle de exporta\u00e7\u00f5es da Guerra Fria, que eram dirigidas principalmente contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, mas tamb\u00e9m inclu\u00edam pa\u00edses como a \u00cdndia. Essas<a href=\"https:\/\/www.india-seminar.com\/2020\/731\/731_sameer_and_arun.htm\"> normas de controle de exporta\u00e7\u00f5es<\/a> eram conhecidas como Normas do Comit\u00ea de Coordena\u00e7\u00e3o para o Controle Multilateral de Exporta\u00e7\u00f5es (COCOM) e, ap\u00f3s a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, passaram a ser chamadas de Acordo de Wassenaar. O regime de exporta\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o da OMC, lan\u00e7ado em 1995, supostamente como parte da ordem mundial \u201cbaseada em normas\u201d, teve uma vida muito curta. Todo o seu processo de resolu\u00e7\u00e3o de disputas est\u00e1 agora suspenso, uma vez que os Estados Unidos sabotaram efetivamente seu \u00f3rg\u00e3o superior, o Tribunal de Apela\u00e7\u00e3o da OMC. Os Estados Unidos se recusaram a aceitar qualquer nomea\u00e7\u00e3o de novos membros para esse \u00f3rg\u00e3o e, com a aposentadoria dos membros existentes, deixaram o \u00f3rg\u00e3o sem qu\u00f3rum para qualquer tribunal. Sem esse \u00f3rg\u00e3o superior, todas as disputas comerciais na OMC terminam sem solu\u00e7\u00e3o, que \u00e9 onde nos encontramos agora.<\/p>\n<p>O que diferencia este regime do anterior regime de controle tecnol\u00f3gico \u2013 o COCOM e o Acordo de Wassenaar \u2013 \u00e9 que este \u00e9 uma pol\u00edtica totalmente elaborada nos Estados Unidos. Nem mesmo seus aliados t\u00eam voz: eles t\u00eam que aceitar tudo o que Trump decreta! N\u00e3o \u00e9 de se admirar que a UE e seus poss\u00edveis parceiros na Europa tenham demonstrado pouca firmeza, curvando-se diante do imperador Trump e aceitando qualquer pol\u00edtica que ele decrete. Para o mundo, o regime comercial se tornou um lugar muito mais perigoso. No mundo de Trump, as regras comerciais significam, essencialmente, o fato de que n\u00e3o h\u00e1 regras, exceto aquelas ditadas no dia em quest\u00e3o pelo governo dos Estados Unidos, ou seja, pelo presidente Trump.<\/p>\n<p>Enquanto a m\u00eddia mundial se concentrou nas amplas restri\u00e7\u00f5es que a China imp\u00f4s \u00e0s suas exporta\u00e7\u00f5es de terras raras e no perigo que isso representa para a cadeia de abastecimento mundial, pouco se escreveu sobre as normas de controle de exporta\u00e7\u00f5es que o Departamento de Com\u00e9rcio dos Estados Unidos publicou em 29 de setembro deste ano, antes das restri\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de terras raras da China. A declara\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos de 29 de setembro ampliou o n\u00famero de empresas chinesas inclu\u00eddas na lista de controle de exporta\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos de<a href=\"https:\/\/www.piie.com\/blogs\/realtime-economics\/2025\/new-export-rule-escalates-us-china-tensions\"> 1.3 mil para mais de 20 mil<\/a>. Isso representou um aumento de 15 vezes no n\u00famero de empresas cujas exporta\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos devem cumprir novas restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 apenas a ponta do iceberg. Em um artigo publicado no Peterson Institute for International Economics (PIIE),<a href=\"https:\/\/www.piie.com\/blogs\/realtime-economics\/2025\/new-export-rule-escalates-us-china-tensions\"> Martin Chorzempa<\/a> escreve (27 de outubro de 2025):<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cQualquer empresa americana que exporte at\u00e9 mesmo uma \u00fanica semente de soja para a China deve realizar uma longa investiga\u00e7\u00e3o corporativa para acompanhar a complexa rede da cadeia de propriedade completa dos clientes chineses e evitar assim o risco de ser sancionada com multas ou at\u00e9 mesmo penas de pris\u00e3o&#8230; A regra dos 50% pode parecer um pequeno ajuste t\u00e9cnico, mas seu impacto, especialmente na China, ser\u00e1 imenso.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o discutirei se as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos e a resposta chinesa foram equivalentes ou rec\u00edprocas. Basta dizer que tanto a Ordem de 29 de setembro dos Estados Unidos quanto as restri\u00e7\u00f5es chinesas \u00e0s terras raras significam, na pr\u00e1tica, que as cadeias de abastecimento globais enfrentam um perigo iminente de separa\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o em todo o mundo. Estamos assistindo oficialmente ao fim do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Com\u00e9rcio (GATT) e do subsequente sistema comercial mundial liderado pela OMC, baseado em um conjunto de normas comuns que foram aceitas por quase todos os pa\u00edses. Embora privilegiasse determinados pa\u00edses, em particular os ocidentais \u2013 os pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) \u2013, pelo menos havia um conjunto de normas comuns que quase todos os pa\u00edses aceitaram cumprir.<\/p>\n<p>Com a ordem dos Estados Unidos de 29 de setembro e agora as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de terras raras da China, cada pa\u00eds ter\u00e1 que redesenhar as cadeias de abastecimento globais para que as entidades que comercializam com um bloco comercial n\u00e3o o fa\u00e7am com o outro. Voltamos aos dias em que as economias do Ocidente e dos pa\u00edses socialistas estavam praticamente separadas, e o resto do mundo tinha que percorrer um caminho dif\u00edcil para lidar com ambos.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre o regime COCOM de antigamente e o de hoje \u2013 e esta \u00e9 uma diferen\u00e7a enorme \u2013 \u00e9 que a complexidade de cada produto aumentou significativamente. Os produtos de hoje, por exemplo, um autom\u00f3vel, t\u00eam muito mais componentes discretos do que no passado. Isso tamb\u00e9m significa que a complexidade de suas cadeias de abastecimento \u00e9 muito maior do que era naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Vejamos a complexidade, por exemplo, do Ford Modelo T, o primeiro autom\u00f3vel produzido em s\u00e9rie. O seu motor de combust\u00e3o interna, o cora\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel, tinha cerca de 100 pe\u00e7as m\u00f3veis. Hoje em dia, mesmo um autom\u00f3vel n\u00e3o el\u00e9trico equivalente tem pelo menos entre 1000 e 2000 pe\u00e7as m\u00f3veis, o que representa um aumento de 10 a 20 vezes. Mesmo nos ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE), embora o motor do autom\u00f3vel \u2013 ou seja, o pr\u00f3prio motor el\u00e9trico \u2013 tenha menos pe\u00e7as m\u00f3veis, a bateria e <i>sua cadeia de abastecimento s\u00e3o<\/i> muito mais complexas do que a cadeia de abastecimento de combust\u00edvel de um autom\u00f3vel a diesel ou a gasolina. Mesmo em um carro a gasolina ou diesel de hoje, o custo dos conjuntos eletr\u00f4nicos feitos com chips representa<a href=\"https:\/\/www.statista.com\/topics\/7983\/automotive-electronics-worldwide\/#topicOverview\"> aproximadamente 40-50% do custo do carro<\/a>.<\/p>\n<p>A dissocia\u00e7\u00e3o dessas complexas cadeias de abastecimento que atualmente fazem parte de qualquer produto importante \u00e9 uma tarefa muito mais dif\u00edcil do que os Estados Unidos parecem crer. Isso n\u00e3o se deve \u00e0 complexidade do sistema comercial, mas fundamentalmente ao<a href=\"https:\/\/www.prolim.com\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/20815_tcm1023-94756.pdf\"> aumento da complexidade<\/a> de produ\u00e7\u00e3o de qualquer produto de consumo, \u00e0 complexidade de sua fabrica\u00e7\u00e3o e, portanto, \u00e0 complexidade de suas cadeias de abastecimento. \u00c9 essa <i>complexidade<\/i> da produ\u00e7\u00e3o e da cadeia de abastecimento que torna quase imposs\u00edvel a separa\u00e7\u00e3o da economia mundial em blocos aut\u00e1rquicos, cada um com suas cadeias de abastecimento independentes e fisicamente separadas. Por mais que a administra\u00e7\u00e3o Trump queira acreditar, n\u00e3o existe um caminho de \u201cvolta ao futuro\u201d para o mundo atual.<\/p>\n<p>Para ilustrar isso, vamos dar uma r\u00e1pida olhada em duas ind\u00fastrias cr\u00edticas e suas respectivas cadeias de abastecimento. O pa\u00eds que controla os gargalos ou pontos cr\u00edticos dessas cadeias de abastecimento pode exercer um controle efetivo sobre as pr\u00f3prias cadeias de abastecimento. Na fase atual da guerra tecnol\u00f3gica e de cadeias de abastecimento entre os Estados Unidos e a China, vejamos o sistema de produ\u00e7\u00e3o de terras raras, j\u00e1 que tratamos frequentemente da guerra dos chips.<\/p>\n<p>Uma parte significativa da m\u00eddia acredita ingenuamente que o monop\u00f3lio das terras raras significa simplesmente extra\u00ed-las, ou seja, simplesmente retir\u00e1-las da terra. O que eles parecem n\u00e3o saber ou se recusam a compreender \u00e9 que o controle tecnol\u00f3gico que a China construiu consiste em <i>concentrar<\/i> o mineral, <i>separar<\/i> os minerais de terras raras propriamente ditos, uma vez que se encontram no mineral em baixa concentra\u00e7\u00e3o, muitas vezes misturados at\u00e9 mesmo com subst\u00e2ncias radioativas, como o t\u00f3rio nas areias de monacita de Kerala. Por fim, algumas dessas terras raras s\u00e3o usadas nos \u00edm\u00e3s permanentes, presentes em quase todos os motores e geradores de alta efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Mesmo quando os minerais que cont\u00eam terras raras s\u00e3o separados dos demais, a purifica\u00e7\u00e3o desde a forma mineral at\u00e9 o produto final \u00e9 novamente um processo complexo. Por exemplo, embora a Austr\u00e1lia extraia terras raras \u2013 \u00e9 o quarto maior fornecedor de terras raras \u2013, a etapa final da separa\u00e7\u00e3o, em particular das terras raras pesadas, \u00e9 realizada na China.<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/en\/can-the-west-break-chinas-grip-on-rare-earths\/a-74474562\"> De acordo com a Benchmark Mineral Intelligence<\/a>, uma empresa de pesquisa sediada no Reino Unido, a China representa at\u00e9 <i>99% do processamento mundial de terras raras pesadas<\/i>.<a href=\"https:\/\/www.businessinsider.com\/china-rare-earth-monopoly-west-supply-chain-goldman-sachs-2025-10\"> De acordo com a Goldman Sachs<\/a>, o Ocidente pode precisar de pelo menos uma d\u00e9cada para diminuir o controle da China sobre a cadeia de abastecimento de terras raras.<\/p>\n<p>As terras raras, em particular as pesadas, s\u00e3o necess\u00e1rias para os \u00edm\u00e3s permanentes. As terras raras n\u00e3o s\u00f3 entram na cadeia de abastecimento das energias renov\u00e1veis, mas, como j\u00e1 comentamos anteriormente, tamb\u00e9m em toda uma s\u00e9rie de armas e equipamentos militares: desde m\u00edsseis e drones at\u00e9 avi\u00f5es, navios e submarinos. Em outras palavras, se o <i>ecossistema de fabrica\u00e7\u00e3o de chips<\/i>, especificamente a litografia, \u00e9 controlado pelos Estados Unidos e seus aliados, a China controla o <i>ecossistema das terras raras<\/i>, n\u00e3o apenas extraindo-as e refinando-as, mas tamb\u00e9m produzindo \u00edm\u00e3s permanentes, que s\u00e3o usados em quase todos os principais produtos industriais e militares. Curiosamente, a m\u00e1quina litogr\u00e1fica da ASML, pe\u00e7a-chave do controle americano sobre a cadeia de fornecimento da fabrica\u00e7\u00e3o de chips, tamb\u00e9m precisa de uma<a href=\"https:\/\/www.trendforce.com\/news\/2025\/10\/13\/news-chinas-toughest-rare-earth-rules-hit-global-chip-supply-tsmc-asml-samsung-on-alert\/\"> grande quantidade de terras raras<\/a> para seus lasers e de \u00edm\u00e3s permanentes no sistema de foco do raio laser.<\/p>\n<p>A \u00fanica vantagem que os Estados Unidos t\u00eam hoje \u00e9 a Defesa, renomeada acertadamente por Trump como \u201cDepartamento de Guerra\u201d. Os gastos militares dos Estados Unidos s\u00e3o iguais aos dos nove pa\u00edses seguintes juntos. Portanto, sua esperan\u00e7a \u00e9 aproveitar seu poder militar e transform\u00e1-lo em poder comercial e financeiro. Na sua perspectiva, a extors\u00e3o \u00e9 a \u00fanica carta que resta aos Estados Unidos, e \u00e9 isso que est\u00e1 em jogo nas rela\u00e7\u00f5es comerciais globais. Os Estados Unidos podem transformar seu poder militar e o d\u00f3lar como moeda global em dom\u00ednio econ\u00f4mico global? Essa \u00e9 a ess\u00eancia da guerra comercial que Trump lan\u00e7ou contra o mundo inteiro, incluindo seus aliados.<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 poss\u00edvel que vejamos uma tr\u00e9gua tempor\u00e1ria entre os Estados Unidos e a China na atual batalha tarif\u00e1ria, j\u00e1 que a crise imediata pode ter passado com a reuni\u00e3o entre Trump e Xi na Coreia do Sul. Mas a guerra comercial mais ampla entre as duas economias continuar\u00e1, a menos que os Estados Unidos estejam dispostos a retornar a um regime comercial global. No momento, isso parece improv\u00e1vel, j\u00e1 que destruir o sistema comercial mundial \u2013 a OMC \u2013 foi uma pol\u00edtica bipartid\u00e1ria, tanto de Trump quanto de Biden.<\/p>\n<p>(*) Tradu\u00e7\u00e3o de Raul Chiliani<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reuni\u00e3o entre Trump e Xi Jinping, realizada em 30 de outubro de 2025, em Busan, Coreia do Sul, pode ter representado um al\u00edvio tempor\u00e1rio na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. 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