{"id":10929,"date":"2025-07-31T21:42:29","date_gmt":"2025-08-01T01:42:29","guid":{"rendered":"https:\/\/portal.globetrotter.media\/?p=10929"},"modified":"2025-08-06T14:59:46","modified_gmt":"2025-08-06T18:59:46","slug":"o-ganho-economico-global-do-genocidio-dos-palestinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.globetrotter.media\/pt-br\/2025\/07\/31\/o-ganho-economico-global-do-genocidio-dos-palestinos\/","title":{"rendered":"O ganho econ\u00f4mico global do genoc\u00eddio dos palestinos"},"content":{"rendered":"<p>No dia 16 de junho de 2025, a Relatora Especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Situa\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos nos Territ\u00f3rios Palestinos Ocupados desde 1967, Francesca Albanese, <a href=\"https:\/\/www.ohchr.org\/en\/documents\/country-reports\/ahrc5923-economy-occupation-economy-genocide-report-special-rapporteur\">publicou<\/a> um novo relat\u00f3rio intitulado <i>Da Economia da Ocupa\u00e7\u00e3o \u00e0 Economia do Genoc\u00eddio<\/i>. Com trinta e nove p\u00e1ginas, o relat\u00f3rio acusa v\u00e1rias grandes empresas multinacionais de lucrar com a ocupa\u00e7\u00e3o e o genoc\u00eddio dos palestinos. Entre as empresas implicadas est\u00e3o nomes conhecidos: Amazon, Blackrock, Google, Lockheed Martin e Volvo. Cada uma dessas empresas, e muitas universidades (particularmente o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT), t\u00eam investimentos direcionados ao deslocamento dos palestinos e sua substitui\u00e7\u00e3o por colonos israelenses. Albanese encerra seu relat\u00f3rio com pedidos razo\u00e1veis: que parem de lucrar com o genoc\u00eddio e cortem la\u00e7os com Israel.<\/p>\n<p>No dia 9 de julho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos <a href=\"https:\/\/www.state.gov\/releases\/office-of-the-spokesperson\/2025\/07\/sanctioning-lawfare-that-targets-u-s-and-israeli-persons\">sancionou<\/a> Albanese por seu trabalho, o que <a href=\"https:\/\/www.presidency.ucsb.edu\/documents\/executive-order-14203-imposing-sanctions-the-international-criminal-court\">impede<\/a> seu acesso \u00e0 suas propriedades nos Estados Unidos. O Departamento de Estado dos EUA <a href=\"https:\/\/www.state.gov\/releases\/office-of-the-spokesperson\/2025\/07\/sanctioning-lawfare-that-targets-u-s-and-israeli-persons\">alegou<\/a> que \u201cAlbanese espalhou antissemitismo descarado, expressou apoio ao terrorismo e desprezo aberto pelos Estados Unidos, Israel e o Ocidente\u201d. As Na\u00e7\u00f5es Unidas responderam dizendo que a imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es abre um \u201cprecedente perigoso\u201d. \u201cO uso de san\u00e7\u00f5es unilaterais contra relatores especiais ou qualquer outro especialista ou funcion\u00e1rio da ONU \u00e9 inaceit\u00e1vel\u201d, <a href=\"https:\/\/news.un.org\/en\/story\/2025\/07\/1165359\">disse<\/a> o porta-voz da ONU, St\u00e9phane Dujarric. Albanese n\u00e3o \u00e9 a primeira pessoa a ser sancionada dessa forma. Em junho de 2025, os EUA <a href=\"https:\/\/www.icc-cpi.int\/news\/international-criminal-court-deplores-new-sanctions-us-administration-against-icc-officials\">sancionaram<\/a> ju\u00edzes do Tribunal Penal Internacional com base na mesma ordem executiva norte-americana.<\/p>\n<p>A pol\u00eamica em torno das san\u00e7\u00f5es dos EUA contra altos funcion\u00e1rios das Na\u00e7\u00f5es Unidas e suas institui\u00e7\u00f5es distrai as pessoas dos pontos fundamentais apresentados no relat\u00f3rio de Albanese e sua equipe. \u00c9 quase como se o secret\u00e1rio de Estado dos EUA, Marco Rubio, tivesse decidido usar a arma das san\u00e7\u00f5es para torn\u00e1-la o centro das aten\u00e7\u00f5es. Em muitos aspectos, Rubio conseguiu. O ponto central do relat\u00f3rio foi deixado de lado, pois a quest\u00e3o principal passou a ser se era aceit\u00e1vel ou n\u00e3o que os Estados Unidos sancionassem funcion\u00e1rios da ONU.<\/p>\n<p><b>Genoc\u00eddio nas nuvens<\/b><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de Albanese indica que v\u00e1rias grandes empresas multinacionais est\u00e3o envolvidas no lucro com o genoc\u00eddio. Essas empresas s\u00e3o das seguintes \u00e1reas: constru\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, finan\u00e7as, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e produ\u00e7\u00e3o de armas. H\u00e1 nomes que eram de se esperar: os principais fabricantes de armas, como a Lockheed Martin. Uma <a href=\"https:\/\/afsc.org\/gaza-genocide-companies\">lista<\/a> completa dessas empresas de armas \u00e9 mantida pelo American Friends Services Committee (AFSC). Vale a pena ler a se\u00e7\u00e3o do AFSC sobre a Amazon:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cA intelig\u00eancia militar israelense usa servidores da AWS [Amazon Web Services] para armazenar grandes quantidades de informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia sobre quase todas as pessoas em Gaza. Desde 2021, a Amazon fornece servi\u00e7os em nuvem ao governo israelense no \u00e2mbito do Projeto Nimbus, um contrato de 1,2 bilh\u00e3o de d\u00f3lares que divide com o Google. Ele fornece servi\u00e7os em nuvem para todos os ramos do governo israelense, incluindo as for\u00e7as armadas, a Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Israelense (Shabak\/\u2018Shin Bet\u2019), a pol\u00edcia e os servi\u00e7os prisionais; as fabricantes de armas Israel Aerospace Industries e Rafael; e ag\u00eancias governamentais relacionadas ao empreendimento ilegal de assentamentos de Israel na Cisjord\u00e2nia ocupada.\u201d<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de Albanese menciona o Projeto Nimbus e nos informa que ele \u00e9 financiado principalmente pelo Minist\u00e9rio da Defesa israelense. Em seguida, seu relat\u00f3rio se aprofunda:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">\u201cA Microsoft, a Alphabet e a Amazon concedem acesso a praticamente todos os ramos do governo de Israel \u00e0s suas tecnologias de nuvem e intelig\u00eancia artificial, melhorando o processamento de dados, a tomada de decis\u00f5es e as capacidades de vigil\u00e2ncia e an\u00e1lise. Em outubro de 2023, quando a nuvem militar interna israelense ficou sobrecarregada, a Microsoft, com sua plataforma Azure, e o cons\u00f3rcio Projeto Nimbus entraram em cena com infraestrutura cr\u00edtica de nuvem e intelig\u00eancia artificial. Seus servidores localizados em Israel garantem a soberania dos dados e um escudo contra a responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal, sob contratos favor\u00e1veis que oferecem restri\u00e7\u00f5es ou supervis\u00e3o m\u00ednimas. Em julho de 2024, um coronel israelense descreveu a tecnologia em nuvem como uma arma em todos os sentidos da palavra, citando essas empresas.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 claro que essas empresas de tecnologia n\u00e3o apenas fornecem informa\u00e7\u00f5es para a ocupa\u00e7\u00e3o e o genoc\u00eddio israelenses, mas tamb\u00e9m fornecem um \u201cescudo contra a responsabiliza\u00e7\u00e3o\u201d, uma vez que protegem informa\u00e7\u00f5es importantes que poderiam ser utilizadas em um tribunal internacional de crimes de guerra. Albanese referiu-se \u00e0 coronel Racheli Dembinsky, comandante do Centro de Computa\u00e7\u00e3o e Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o de Israel, que fornece processamento de dados para as for\u00e7as armadas israelenses. Em uma confer\u00eancia chamada <i>IT for IDF<\/i> (Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o para as For\u00e7as de Defesa de Israel) em Rishon Lezion, perto de Tel Aviv, a coronel Dembinsky <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qLBDfnZJrC8\">disse que<\/a> o ex\u00e9rcito de Israel contava com os servi\u00e7os de armazenamento em nuvem e intelig\u00eancia artificial dessas gigantes multinacionais de tecnologia (que, em seus slides da palestra, s\u00e3o Amazon Web Services, Google Cloud e Microsoft Azure). A coronel Dembinsky <a href=\"https:\/\/www.972mag.com\/cloud-israeli-army-gaza-amazon-google-microsoft\/\">afirmou<\/a> que sua unidade do ex\u00e9rcito \u2013 conhecida como Mamram \u2013 usava uma \u201cnuvem operacional\u201d em seus servidores internos que, segundo ela, \u00e9 uma \u201cplataforma de armas\u201d. N\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sobre o valor total que essas empresas lucraram com o genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Em 2024, funcion\u00e1rios da Amazon e do Google criaram a campanha <a href=\"https:\/\/www.notechforapartheid.com\/\">No Tech for Apartheid<\/a> (Sem Tecnologia para o Apartheid). Em um evento em Nova York, enquanto Barak Regev, da Google Israel, discursava, um funcion\u00e1rio do Google o interrompeu e <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/shorts\/T26lLzrS_mg\">disse<\/a>: \u201cSou engenheiro de software do Google Cloud e me recuso a construir tecnologia que alimenta genoc\u00eddio, apartheid ou vigil\u00e2ncia\u201d. Dezenas de engenheiros do Google foram demitidos por sua associa\u00e7\u00e3o com a campanha No Tech for Apartheid. Isso n\u00e3o impediu o grupo de organizar mais protestos.<\/p>\n<p><b>O Cego<\/b><\/p>\n<p>Em 2003, Peter Thiel e outros fundaram uma empresa de tecnologia chamada Palantir. O nome vem de <i>O Senhor dos An\u00e9is<\/i> e se refere \u00e0 bola de cristal que pode ver de longe. Thiel, um libert\u00e1rio profundamente conservador que acredita fundamentalmente na \u201cciviliza\u00e7\u00e3o ocidental\u201d, ganhou seu dinheiro no PayPal e no Facebook antes de entrar no lucrativo mundo dos contratos militares e de intelig\u00eancia (o primeiro grande investidor da Palantir foi a empresa de capital de risco da Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia, In-Q-Tel). Em 2015, a Palantir come\u00e7ou a fazer neg\u00f3cios em Israel, particularmente com seu complexo militar e de intelig\u00eancia, fornecendo integra\u00e7\u00e3o de dados, an\u00e1lise de dados e uso de intelig\u00eancia artificial. Em dezembro de 2023, durante a primeira fase do genoc\u00eddio israelense, o CEO da Palantir, Alex Karp, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5e6K2ea_e7k\">disse \u00e0<\/a> <i>Fox Business<\/i>: \u201cSomos bem conhecidos em Israel\u201d.<\/p>\n<p>Em 12 de janeiro de 2024, a Palantir formou uma parceria com a ind\u00fastria militar israelense para auxiliar no genoc\u00eddio. O vice-presidente executivo da Palantir, Josh Harrish, <a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/articles\/2024-01-12\/palantir-israel-agree-to-strategic-partnership-for-battle-tech?embedded-checkout=true\">disse<\/a> na \u00e9poca: \u201cAmbas as partes concordaram mutuamente em aproveitar a tecnologia avan\u00e7ada da Palantir para apoiar miss\u00f5es relacionadas \u00e0 guerra\u201d. A express\u00e3o \u201cmiss\u00f5es relacionadas \u00e0 guerra\u201d \u00e9 direta e poderia ser descrita como genoc\u00eddio, que \u00e9 exatamente como o Tribunal Internacional de Justi\u00e7a se referiu a ela em 26 de janeiro de 2024. O sistema TITAN da Palantir <a href=\"https:\/\/www.business-humanrights.org\/es\/%C3%BAltimas-noticias\/palantir-allegedly-enables-israels-ai-targeting-amid-israels-war-in-gaza-raising-concerns-over-war-crimes\/\">est\u00e1 sendo<\/a> utilizado em ataques precisos, que \u2013 dado o n\u00famero de v\u00edtimas civis em Gaza \u2013 t\u00eam sido precisos no assassinato de n\u00e3o-combatentes. Em 30 de abril de 2025, no Hill &amp; Valley Forum, o CEO da Palantir, Karp, foi questionado sobre a morte de palestinos e <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=uQCazCId_9o\">respondeu que<\/a> a Palantir tinha sido respons\u00e1vel pela morte de \u201cprincipalmente terroristas, isso \u00e9 verdade\u201d. Isto n\u00e3o \u00e9, evidentemente, verdade, uma vez que a maioria das pessoas mortas em Gaza eram civis (seria \u00fatil consultar os <a href=\"https:\/\/www.ochaopt.org\/data\/casualties\">dados globais<\/a> sobre o n\u00famero de mortos palestinos desde 2008, mantidos pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas; se todos os mortos fizessem parte do Hamas e da Jihad Isl\u00e2mica, ent\u00e3o estes grupos teriam sido uma for\u00e7a armada ainda mais formid\u00e1vel). Com base nos coment\u00e1rios de Karp na reuni\u00e3o de 2024 em Tel Aviv e no F\u00f3rum Hill &amp; Valley de 2025, o relat\u00f3rio de Albanese conclui que eles s\u00e3o \u201cindicativos do conhecimento e da inten\u00e7\u00e3o do n\u00edvel executivo em rela\u00e7\u00e3o ao uso ilegal da for\u00e7a por Israel e \u00e0 falha em impedir tais atos ou parar o envolvimento\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que surgiram not\u00edcias sobre a associa\u00e7\u00e3o da Palantir com a deporta\u00e7\u00e3o de migrantes dos EUA, protestos <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/shorts\/zN-s_zPBcVk\">se espalharam<\/a> por todo o pa\u00eds nos escrit\u00f3rios da empresa. Esses protestos ligam o trabalho genocida da Palantir contra os palestinos e a colabora\u00e7\u00e3o com o Estado norte-americano para deportar migrantes.<\/p>\n<p><b>Lucrando com a ocupa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas, investigadores das Na\u00e7\u00f5es Unidas e de outros grupos (incluindo organiza\u00e7\u00f5es palestinas) documentam a forma como as empresas t\u00eam lucrado com a ocupa\u00e7\u00e3o israelense da Palestina. De acordo com uma estimativa conservadora da<a href=\"https:\/\/unctad.org\/system\/files\/official-document\/a77d295_en.pdf\"> UNCTAD<\/a>, Israel gera 41 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anualmente com a explora\u00e7\u00e3o direta da Cisjord\u00e2nia (cerca de 7% do PIB israelense). Isso sem levar em conta outros benef\u00edcios indiretos que emanam do fato do estado israelense ter uma popula\u00e7\u00e3o cativa para explorar.<\/p>\n<p>Em 2020, as Na\u00e7\u00f5es Unidas <a href=\"https:\/\/docs.un.org\/en\/A\/HRC\/43\/71\">publicaram<\/a> um banco de dados de empresas que lucravam com a atividade ilegal de assentamentos na Cisjord\u00e2nia. A maioria das empresas do banco de dados tinha sede em Israel, mas muitas eram multinacionais. Entre as mais conhecidas estavam a Airbnb (Estados Unidos), a Booking.com (Pa\u00edses Baixos), a Expedia (Estados Unidos), a TripAdvisor (Estados Unidos), a General Mills (Estados Unidos) e a Motorola (Estados Unidos). O <a href=\"https:\/\/media.us12.list-manage.com\/track\/click?u=b02aceea9cb578af543d3029c&amp;id=8c8d0bb8c4&amp;e=ad573e7db3\">site<\/a> <i>WhoProfits<\/i>, por sua vez, n\u00e3o s\u00f3 possui um banco de dados preciso das empresas envolvidas na explora\u00e7\u00e3o do genoc\u00eddio e da ocupa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m produz relat\u00f3rios importantes sobre \u00e1reas espec\u00edficas de atividade \u2013 como seu <a href=\"https:\/\/media.us12.list-manage.com\/track\/click?u=b02aceea9cb578af543d3029c&amp;id=f2d9d14a21&amp;e=ad573e7db3\">relat\u00f3rio de<\/a> 2024 sobre <i>Greenwashing Dispossession: The Israeli Renewable Energy Industry and the Exploitation of Occupied Natural Resources<\/i> (Greenwashing: A Ind\u00fastria Israelense de Energia Renov\u00e1vel e a Explora\u00e7\u00e3o dos Recursos Naturais Ocupados). O <a href=\"https:\/\/dontbuyintooccupation.org\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/2023_DBIO-III-Report_11-December-2023.pdf\">relat\u00f3rio da<\/a> coaliz\u00e3o Don\u2019t Buy Into Occupation, de dezembro de 2023, lista empresas financeiras europeias e seus tent\u00e1culos lucrativos dentro do projeto ilegal de assentamentos israelenses.<\/p>\n<p>Em 10 de junho de 2025, as organiza\u00e7\u00f5es Global Legal Action Network (GLAN), Sadaka Ireland e al-Haq (Palestina) <a href=\"https:\/\/www.glanlaw.org\/single-post\/multi-jurisdictional-legal-action-airbnb\">entraram com<\/a> uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es judiciais na Irlanda, no Reino Unido e nos Estados Unidos contra a Airbnb por suas opera\u00e7\u00f5es no Territ\u00f3rio Palestino Ocupado. Em 2018, a Airbnb <a href=\"https:\/\/news.airbnb.com\/listings-in-disputed-regions\/\">disse que<\/a> iria \u201cconsiderar o impacto que temos e agir com responsabilidade\u201d, mas depois mudou de rumo e \u2013 como observa a GLAN \u2013 \u201ccontinua listando mais de 300 acomoda\u00e7\u00f5es para aluguel\u201d na Cisjord\u00e2nia. Essas tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es argumentam que um dos crimes aqui \u00e9 a \u201clavagem de dinheiro pela Airbnb proveniente de crimes de guerra israelenses\u201d. Estas s\u00e3o acusa\u00e7\u00f5es graves, especialmente na Irlanda e no Reino Unido, que t\u00eam uma legisla\u00e7\u00e3o rigorosa contra a lavagem de dinheiro. O advogado s\u00eanior da GLAN, Gerry Liston, <a href=\"https:\/\/www.business-humanrights.org\/en\/latest-news\/airbnb-faces-multi-jurisdictional-legal-actions-over-alleged-profiting-from-rentals-in-illegal-israeli-settlements\/\">disse<\/a>: \u201cEstes s\u00e3o os primeiros casos em que a legisla\u00e7\u00e3o contra a lavagem de dinheiro \u00e9 aplicada no Reino Unido e em outros lugares a atividades comerciais nos assentamentos ilegais israelenses. Eles demonstram que os executivos seniores de empresas que lucram com a ocupa\u00e7\u00e3o israelense do territ\u00f3rio palestino correm o risco de serem processados por um crime muito grave\u201d.<\/p>\n<p>O impacto destas empresas que lucram com a ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita aos rendimentos que geram \u00e0 custa dos palestinos, mas tamb\u00e9m contribui para a apropria\u00e7\u00e3o de terras e a polui\u00e7\u00e3o ambiental. Um exemplo \u00e9 a empresa agroqu\u00edmica <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/action\/showPdf?pii=S0140-6736%2813%2962601-X\">Geshuri<\/a>, que afeta as comunidades palestinas em Tulkarem e leva a taxas mais elevadas de c\u00e2ncer, asma e anomalias oculares e respirat\u00f3rias. Este exemplo n\u00e3o \u00e9, infelizmente, \u00fanico na Cisjord\u00e2nia, uma vez que <a href=\"https:\/\/www.alhaq.org\/cached_uploads\/download\/alhaq_files\/publications\/Environmental.Injustice.Report.En.pdf\">as empresas israelenses lucram<\/a> com pr\u00e1ticas extrativas e poluentes em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ter uma popula\u00e7\u00e3o cativa e sem direitos para fazer experi\u00eancias provou ser um recurso valioso para o desenvolvimento de tecnologias de espionagem intrusivas. Um exemplo claro \u00e9 o spyware (software espi\u00e3o) <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/news\/series\/pegasus-project\">Pegasus<\/a>, que foi desenvolvido em estreita coopera\u00e7\u00e3o entre a infame unidade de intelig\u00eancia 8200 do ex\u00e9rcito israelense, a academia israelense e capital privado. Este spyware foi usado por governos repressivos em todo o mundo para reprimir <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-57891506\">dissidentes<\/a>, com mais de 50 mil pessoas visadas.<\/p>\n<p>De acordo com o <a href=\"https:\/\/bdsmovement.net\/news\/call-from-palestine-unite-against-cyber-surveillance-repression\">movimento Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es<\/a> (BDS), em 2020, as empresas cibern\u00e9ticas israelenses <a href=\"https:\/\/www.whoprofits.org\/\">receberam<\/a> aproximadamente 31% do investimento global no setor. As aquisi\u00e7\u00f5es de empresas cibern\u00e9ticas israelenses geraram cerca de 4,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, e as suas exporta\u00e7\u00f5es ficaram em 6,85 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Israel tornou-se l\u00edder no<a href=\"https:\/\/www.haaretz.com\/israel-news\/2018-10-20\/ty-article-magazine\/.premium\/israels-cyber-spy-industry-aids-dictators-hunt-dissidents-and-gays\/0000017f-e9a9-dc91-a17f-fdadde240000\"> mercado de spyware e vigil\u00e2ncia<\/a>, fornecendo expertise em coleta e processamento de dados, incluindo espionagem, reconhecimento facial, \u201cferramentas de rastreamento de usu\u00e1rios\u201d usadas para policiamento, manipula\u00e7\u00e3o eleitoral e muito mais\u201d.<\/p>\n<p><b>Genocide Gentry<\/b><\/p>\n<p>O foco nos executivos seniores \u00e9 not\u00e1vel. Um novo projeto, <a href=\"https:\/\/genocidegentry.org\/\">Genocide Gentry<\/a>, concentra-se diretamente nos executivos seniores de fabricantes de armas (Boeing, Elbit Systems of America, General Dynamics, Lockheed Martin, Northrop Grumman e RTX \u2013 anteriormente Raytheon). Estes s\u00e3o os principais fornecedores de defesa do Pent\u00e1gono dos EUA. O grupo \u2013 desenvolvido pela plataforma online de c\u00f3digo aberto <a href=\"https:\/\/littlesis.org\/\">LittleSis<\/a> \u2013 nomeia os altos dirigentes destas empresas, rastreia as suas liga\u00e7\u00f5es com outras empresas e, em seguida, encontra as suas liga\u00e7\u00f5es a institui\u00e7\u00f5es culturais. S\u00e3o estas institui\u00e7\u00f5es que constituem o elo mais fraco da cadeia, uma vez que n\u00e3o gostam de ser associadas diretamente a empresas genocidas, ainda que precisem do dinheiro.<\/p>\n<p>O Genocide Gentry prop\u00f5e uma estrat\u00e9gia simples em tr\u00eas etapas:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li>Entenda melhor a conex\u00e3o da sua cidade\/universidade\/local de trabalho com o genoc\u00eddio. O banco de dados deles ajuda a rastrear se um membro de uma empresa de armas faz parte do conselho de institui\u00e7\u00f5es em uma cidade.<\/li>\n<li>Identifique institui\u00e7\u00f5es culturais e educacionais em sua comunidade com v\u00ednculos com empresas de armas.<\/li>\n<li>Utilize os perfis dos membros de conselho e doadores para exemplos espec\u00edficos de como as institui\u00e7\u00f5es locais est\u00e3o ligadas \u00e0 m\u00e1quina de guerra.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>Aqui est\u00e1 um exemplo interessante: Kathy Warden \u00e9 CEO da Northrop Grumman e membro do conselho de administra\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.catalyst.org\/\">Catalyst<\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o global sem fins lucrativos que ajuda a construir locais de trabalho que \u201cfuncionam para as mulheres\u201d. A ONU Mulheres <a href=\"https:\/\/www.unwomen.org\/en\/news-stories\/news\/2025\/05\/un-women-estimates-over-28000-women-and-girls-killed-in-gaza-since-october-2023\">estima que<\/a> pelo menos 28 mil mulheres e meninas foram mortas em Gaza por armas \u2013 algumas delas da Northrop Grumman \u2013, e a ONU Mulheres <a href=\"https:\/\/www.unwomen.org\/en\/news-stories\/statement\/2025\/07\/un-women-statement-on-the-escalating-humanitarian-catastrophe-in-gaza\">alerta que<\/a> um milh\u00e3o de mulheres e meninas est\u00e3o enfrentando a fome em Gaza devido \u00e0 m\u00e1quina de guerra alimentada pela Northrop Grumman. L\u00e1 se vai o \u201cimagem\u201d da Catalyst como uma empresa defensora das mulheres.<\/p>\n<p>Esta estrat\u00e9gia tem tido algum sucesso. No in\u00edcio de 2024, ativistas come\u00e7aram a pressionar m\u00fasicos que estavam escalados para tocar no festival South by Southwest SXSW, em Austin, Texas. Em mar\u00e7o, Ella Williams (que toca como Squirrel Flower) anunciou que n\u00e3o iria ao SXSW porque o evento era patrocinado por fabricantes de armas. No seu Instagram, ela<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sqrrlflwr\/p\/C4GwcwVu-gp\/?hl=en\"> escreveu<\/a>: \u201cO SXSW est\u00e1 dando espa\u00e7o para empresas de defesa, incluindo subsidi\u00e1rias da Raytheon, bem como o Ex\u00e9rcito dos EUA, um dos principais patrocinadores do festival&#8230; Lucradores do genoc\u00eddio como a Raytheon fornecem armas para as For\u00e7as de Defesa de Israel, pagas com nossos impostos. Um festival de m\u00fasica n\u00e3o deve incluir os que lucram da guerra. Recuso-me a ser c\u00famplice disso e retiro minha arte e meu trabalho em protesto\u201d. Outros 79 artistas decidiram boicotar o festival. Em junho de 2024, o SXSW <a href=\"https:\/\/genocidegentry.org\/2024\/08\/14\/sxsw-drops-u-s-army-and-weapons-manufacturers\/\">disse que<\/a> cortaria seus la\u00e7os com o Ex\u00e9rcito dos EUA e com a Raytheon (RTX).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p>O que fica evidente \u00e0 medida que o genoc\u00eddio continua \u00e9 que h\u00e1 interesse dos grandes investidores em proteger seus lucros resultantes da ocupa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da Palestina. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 sombria e feia, mas agora h\u00e1 evid\u00eancias suficientes \u2013 como o relat\u00f3rio de Albanese \u2013 da mis\u00e9ria da ocupa\u00e7\u00e3o sionista da Palestina e do tratamento dado aos palestinos. H\u00e1 tamb\u00e9m muitas evid\u00eancias incontest\u00e1veis que revelam como as corpora\u00e7\u00f5es e suas tecnologias t\u00eam sido usadas para reprimir os palestinos e como continuam encontrando maneiras de serem usadas globalmente. Essas evid\u00eancias devem ser levadas adiante, seja por \u00f3rg\u00e3os internacionais, tribunais ou pela opini\u00e3o p\u00fablica. O sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o seremos livres at\u00e9 que todos sejam livres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 16 de junho de 2025, a Relatora Especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre a Situa\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos nos Territ\u00f3rios Palestinos Ocupados desde 1967, Francesca Albanese, publicou um novo relat\u00f3rio intitulado Da Economia da Ocupa\u00e7\u00e3o \u00e0 Economia do Genoc\u00eddio. 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